Agronegócio

Produção de carnes ultrapassa 29 de toneladas, aponta estimativa

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgou, na última sexta-feira (28), os números atualizados do quadro de suprimento de carnes no Brasil. A produção dos três principais tipos de carne alcançou a marca de cerca de 29,6 milhões de toneladas.

Se confirmada, essa será a maior quantidade já registrada na série histórica para aves, suínos e bovinos no país. Além disso, a Conab estima que as exportações também atinjam um patamar recorde, ultrapassando a marca de 9 milhões de toneladas.

O destaque desse recorde é puxado pela produção de carne suína, que apresentou um crescimento de 2,7% em relação ao ano anterior, atingindo um volume inédito de 5,32 milhões de toneladas.

Esse aumento expressivo permitirá um crescimento de 10,1% nas exportações, chegando a aproximadamente 1,22 milhões de toneladas, sem afetar a oferta interna, que deve ter um leve incremento de 0,6% e alcançar 4,12 milhões de toneladas.

Gabriel Rabello, gerente de Fibras e Alimentos Básicos da Conab, destacou que o Brasil está diversificando seus mercados e reduzindo sua dependência da China nas exportações de carne suína. Enquanto em 2020 mais de 50% das exportações eram destinadas à China, esse número caiu para 37% no primeiro semestre deste ano, com países como Hong Kong, Filipinas, Chile e Cingapura ampliando sua participação como principais compradores da carne suína brasileira. A recente abertura dos mercados do México e do Canadá também representa novas oportunidades para os exportadores brasileiros.

Quanto à produção de carne bovina, que representa cerca de 9 milhões de toneladas, seu aumento já era esperado devido ao ciclo pecuário, que resulta em maior abate de fêmeas e, consequentemente, maior oferta de carne no mercado. No entanto, as exportações estão projetadas para sofrer uma redução de 3,3% em comparação com o ano passado, principalmente devido a embarques mais lentos no início de 2023. Apesar disso, a disponibilidade interna deve aumentar em 8,6%, chegando a 6,23 milhões de toneladas.

No setor avícola, a expectativa é de uma produção de 15,21 milhões de toneladas, a segunda maior da série histórica. A boa produção brasileira e os surtos de gripe aviária em diversos países, como Europa, Japão e Estados Unidos, aumentam a procura pela carne de aves brasileira. Gabriel Rabello enfatiza que, embora tenham sido detectados casos de influenza aviária no Brasil, eles foram restritos a aves silvestres e não afetaram as aves comerciais.

Diante desse cenário favorável, as exportações devem crescer cerca de 10,2%, atingindo um novo recorde de 5,12 milhões de toneladas. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) registrou um aumento de 10% nas vendas ao mercado externo somente nos primeiros 15 dias úteis de julho.

Em relação ao mercado de ovos, a Conab estima que a produção para 2023 alcance um novo recorde, chegando a 40 bilhões de unidades destinadas ao consumo. No entanto, o gerente da Conab ressalta que o alto custo de produção nos últimos anos levou alguns avicultores a descartarem as matrizes de postura, resultando em maiores oscilações de preços devido a distorções entre oferta e demanda. No mercado externo, a influenza aviária nos Estados Unidos é um dos principais fatores que contribuem para a elevação das cotações.

O presidente da Companhia, Edegar Pretto, destaca que o aumento na produção de carnes no Brasil tem contribuído para a tendência de queda nos preços ao consumidor, tornando a carne mais acessível para os brasileiros.

Com informações da Conab