Favorecida pelo clima, a colheita do arroz avançou rapidamente no Rio Grande do Sul e alcançou 87%. Em algumas localidades, especialmente nas manhãs dos primeiros dias do período, foram registradas dificuldades operacionais decorrentes de neblina densa e dias nublados. Porém, a partir do dia 17 deste mês, as condições meteorológicas melhoraram significativamente, de acordo com o Informativo de Conjuntura, divulgado na quinta-feira pela Emater/Ascar-RS.
Em parte das lavouras, diminuiu a qualidade dos grãos, segundo o levantamento. O acúmulo de dias chuvosos entre o fim de março e a primeira semana de abril paralisou a colheita, gerando represamento de áreas prontas, que superaram a capacidade operacional dos orizicultores. Além disso, os grãos que já haviam atingido a umidade ideal voltaram a absorver água, prejudicando sua qualidade final.
A sequência de dias secos tem proporcionado a redução dos teores de umidade dos grãos para patamares abaixo de 18%, considerados adequados para a realização da colheita com mínima incidência de danos mecânicos. No entanto, a grande amplitude térmica observada no período — temperaturas diurnas superiores a 30 °C e mínimas abaixo de 10°C — tem intensificado a suscetibilidade dos grãos à quebra durante a colheita e o beneficiamento, impactando diretamente a classificação comercial.
Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, na Fronteira Oeste, em Uruguaiana, foram colhidos aproximadamente 90% dos 76,5 mil hectares cultivados. Um dos principais pontos de atenção nas últimas semanas tem sido a diminuição do percentual de grãos inteiros em relação ao produto obtido entre janeiro e o final de março, influenciando a qualidade.
Em Itaqui, a colheita alcança 91% dos 67 mil hectares implantados. Os grãos resultantes das últimas colheitas apresentam padrão inferior de qualidade, o que tende a repercutir negativamente na precificação do produto. As produtividades médias estão em queda, situando-se abaixo de 8 mil quilos por hectare nas áreas mais afetadas.
Espera-se uma desaceleração no ritmo de colheita nas próximas semanas, uma vez que as lavouras implantadas no final de dezembro e início de janeiro devem atingir a maturação fisiológica apenas na segunda quinzena de maio. Em São Gabriel, 80% dos 26 mil hectares cultivados foram colhidos. As produtividades seguem elevadas, apesar da crescente preocupação com a retração nos preços. Há relatos de dificuldades logísticas para o escoamento da produção nos engenhos, dado o alto volume colhido simultaneamente por diversos produtores.
Na Campanha Gaúcha, em Bagé, 80% dos 7,6 mil hectares semeados foram colhidos, e os grãos apresentam, em geral, boa qualidade. As produtividades têm variado conforme a época de implantação da lavoura, a eficiência da irrigação e o momento de início do manejo hídrico.
Na de Pelotas, as atividades de colheita foram retomadas com intensidade. Em Piratini e Cerrito, foi concluída. Em Pedras Altas, Pelotas, Tavares e Capão do Leão, a operação atinge 95%. Em âmbito regional, 77%. Restam a campo 23% em maturação. As produtividades variam entre 8 mil 10,6 mil quilos por hectare, rendimento médio regional estimado em 8,9 mil quilos por hectare.
Na de Santa Maria, a colheita supera 85%. Em Cachoeira do Sul, município com maior área cultivada na região, aproximadamente 90% foram colhidos. Os rendimentos, em geral, têm atendido às expectativas iniciais, apesar de registros pontuais de queda na produtividade em alguns municípios.
Na de Santa Rosa, após a conclusão da colheita, os produtores que adotam o sistema de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) têm aproveitado o rebrote da soca do arroz para o pastejo de bovinos e avaliam a semeadura de pastagens de azevém nas áreas colhidas. Além da diversificação de renda por meio da pecuária, o pisoteio dos animais promove a compactação moderada da camada subsuperficial do solo, o que pode reduzir a infiltração excessiva de água, favorecendo a lâmina de irrigação na próxima safra de arroz.
Na de Soledade, o predomínio de tempo firme, de temperaturas amenas a elevadas e de alta radiação solar favoreceu o avanço da colheita, que atinge 87%. A produtividade tem se mantido elevada, e a qualidade dos grãos está, em geral, satisfatória, reflexo da adequada disponibilidade hídrica ao longo do ciclo. Em algumas áreas, no entanto, foram observados grãos chochos em decorrência de estresse térmico durante o período de floração.