Opinião

Brasil: O Vale do Silício do Agronegócio - Revolucionando a Agricultura com Inovação e Tecnologia

Eu não tenho dúvida que essa onda é a nossa grande oportunidade de ser um verdadeiro protagonista no cenário mundial

Silhueta do homem pilotando um drone ao pôr do sol com céu ensolarado no fundo.
No Brasil, estamos vivendo um fenômeno semelhante, com mais de 1.700 agtechs atraindo a atenção de grandes empresas do setor agro, como Syngenta, Bayer e John Deere, bem como de empresas de tecnologia, como Google e Microsoft e financeiras, como Visa e Itaú | Foto: ArthurHidden/freepik

Eu não tenho dúvida nenhuma em afirmar que o Brasil é o Vale do Silício das agtechs e essa onda é a nossa grande oportunidade de destacar os nossos talentos e ser um verdadeiro protagonista no cenário mundial.

Tenho falado em todas as minhas palestras e aulas sobre a pujança e o grande momento que estamos vivendo no agronegócio brasileiro. Comparo a situação atual do Brasil com o que o Vale do Silício viveu no início da década de 1990, quando grandes empresas e mentes brilhantes migraram para a região, tornando-a referência em tecnologia.

No Brasil, estamos vivendo um fenômeno semelhante, com mais de 1.700 agtechs atraindo a atenção de grandes empresas do setor agro, como Syngenta, Bayer e John Deere, bem como de empresas de tecnologia, como Google e Microsoft e financeiras, como Visa e Itaú.

Minha paixão por essas agtechs começou quando eu era Diretor de Novos Negócios de uma multinacional, responsável por identificar tecnologias e empresas incubadas, principalmente em universidades, por volta de 2010.

Desde então, houve um boom de tecnologias e agtechs (startups) antes, dentro e depois da porteira, com inovações como sensores, nanotecnologia, biológicos, softwares, drones e inteligência artificial se espalhando por todos os estados, não apenas nas universidades, mas também em diversos hubs de inovação como Agtech Garage, em Piracicaba-SP, Dabi Business Park, em Ribeirão Preto-SP, e até na maior cidade do Brasil com o Cubo Itaú.

Todo início de ano, escrevo sobre essas tecnologias e as agtechs que mais me inspiram e que acredito que irão revolucionar e ajudar o agricultor a ser mais produtivo, rentável e sustentável. Essa escolha é baseada nas minhas viagens pelo Brasil, em publicações do setor e na internet, o que geralmente me permite conhecer apenas uma parte desse exuberante mundo.

Recentemente, conheci um grupo de visionários empreendedores, investidores e analistas com um propósito simples e claro: construir empresas que irão mudar a forma como o Brasil produz e alimenta o mundo. O que mais me chamou a atenção foi como esse grupo construiu um banco de dados que ajuda na prospecção das melhores empresas, pessoas e tecnologias em uma plataforma fácil e de incrível usabilidade.

Estou falando da Rural Ventures, fundada por Fernando Rodrigues em 2021, e que desde então, tornou-se referência no assunto. Além de investirem e acreditarem no sonho de dezenas de empreendedores, compartilharam todo esse ecossistema com o nosso agronegócio através de publicações na mídia, programas de podcast, organização de eventos e viagens internacionais.

Um time multidisciplinar com a clara missão de fornecer não apenas investimentos para as agtechs, mas também mentoria, acesso ao mercado, treinamentos e, o mais importante na minha opinião, testes de campo, ou seja, o teste ácido da usabilidade e escalabilidade dessas tecnologias nas fazendas dos próprios empreendedores e parceiros dessa venture capital.

Seis agtechs estão no portfólio da Rural Ventures hoje: Agroboard, Arara Seed, Bem Agro, Preservaland, Campo Capital e Um Grau e Meio. Agtechs essas que cresceram mais de seis vezes em 2023, um ano extremamente difícil para o agronegócio brasileiro.

O processo de captação da Rural Ventures é pragmático e passa por alguns requisitos, e várias áreas de atuação:

  • Founders Full-Time & SOP: Os seja, os fundadores devem estar completamente envolvidos na operação da startup, e parte do investimento deve estar destinada à retenção de talentos.
  • Estágio de Pré-Escala, Escala e Tração: As startups precisam estar em estágio inicial (tração) e a tese deve estar voltada para a transformação do agronegócio brasileiro.
  • Cheques entre R$0,5M e R$2M: Cheques de até R$2.000.000,00, com possibilidade de escalonar frente à primeira captação e follow-on.
  • Validação Técnica e Teste em Campo: Toda startup aprovada é validada na fazenda dos venture partners. Caso aprovada, está sujeita a validação técnica.

As áreas de foco incluem:

  • OGM’s, Genética, Controle Biológico e Genômica
  • Inteligência Artificial, Big Data e Drivers de Decisão
  • Crédito, Seguro, Análise Fiduciária e Ag FinTechs
  • Segurança Alimentar, Rastreabilidade, Gestão de Risco e Mitigação de Danos

Mais de 300 startups já foram analisadas, algumas com análises extremamente profundas com memorandos de investimento, validações técnicas e outras com análises iniciais que incluem entrevista gravada com o fundador, apresentação técnica, estratégia, dentre outros materiais.

O que mais me impressionou nesse grupo, foi que eles não guardaram essa prospecção entre eles, todos esses dados estão sendo compartilhado para toda a comunidade de investidores e com as próprias agtechs que queiram colocar suas informações nesse “celeiro”.

Transparência, agilidade e compartilhamento, seguindo o meu princípio de vida: “Se eu tenho uma ideia e a guardo comigo, terei apenas uma ideia; se eu a compartilho, a chance de melhorar, fortalecer essa ideia e acrescentar mais ideias será muito maior”.

A Rural Ventures disponibilizou a todos os participantes um chat no Telegram com informações de todas essas startups analisadas, incluindo pitchs e vídeos dos fundadores. Um chatbot de fácil interação e que traz as informações de forma fácil e acessível. Basta fazer a pergunta certa. Em breve disponibilizarão esse chatbot no WhatsApp também.

Uma mostra de todo esse arsenal e dessa ferramenta pode ser vista no vídeo abaixo:

Enfim, uma grande ótima notícia para os apaixonados por tecnologia e pelo agronegócio brasileiro, se você for investidor, estudioso do assunto ou se for empreendedor e querer colocar a sua agtech em uma análise rica e fortemente analisada, eu recomendo entrar em contato com esse pessoal.

Para quem quer ver os meus artigos anteriores, e as minhas apostas e grau de assertividade, pode encontrar esses artigos na minha coluna do Portal Destaque Rural e na internet, mas uma coisa eu tenho absoluta certeza: a de que minhas apostas para 2025 virão desse celeiro de informações da Rural Ventures.

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As ideias expressas nesta coluna são exclusivamente do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, a posição do Portal Destaque Rural.