Bovinocultura de Leite

Atividade leiteira foi impactada pelo calor e estiagem

Houve perda de produção, baixo desempenho reprodutivo das vacas, maior suscetibilidade às doenças e aumento dos custos de produção

Vacas pastando.
Ondas de calor e seca provocaram queda de 24,5% a 28% na produção diária de leite | Foto: Fernando Dias/Seapi/Divulgação

As ondas de calor e a seca prolongada, que ocorreram no último verão, impactaram significativamente a atividade leiteira no Rio Grande do Sul. Houve perda de produção, baixo desempenho reprodutivo das vacas e maior suscetibilidade às doenças, como a mastite. Isso se refletiu no aumento dos custos de produção. Tudo em decorrência da associação de fatores como estresse térmico calórico moderado, deficiente disponibilidade forrageira nos campos e má qualidade da água.

A análise consta no Comunicado Agrometeorológico – Especial Biometereológico Verão 2024/2025 “Biometeorologia aplicada à bovinocultura de leite no Rio Grande do Sul: condições meteorológicas, índice de temperatura e umidade (conforto térmico) e estimativa de efeitos na produção de leite no verão 2024/2025, divulgado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi).

O estudo analisa as condições meteorológicas ocorridas na estação, como precipitação pluvial, temperatura e umidade do ar. “Utilizando o Índice de Temperatura e Umidade (ITU), o estudo documenta e identifica as faixas de conforto/desconforto térmico às quais os animais ficaram expostos, estimando os efeitos na produção de leite”, afirma a agrometeorologista Ivonete Tazzo, uma das autoras do trabalho. “Além disso, apresenta mapas com a espacialização dos valores médio e máximo do índice no Estado e dos valores estimados da queda de produção de leite diária das vacas em oito níveis, que vão de cinco a 40 quilos”, explica.

A profissional conta que os registros de temperaturas mínimas e máximas absolutas do ar elevadas ocorridas no trimestre (dezembro de 2024, janeiro e fevereiro de 2025) indicaram situações de estresse térmico calórico para vacas leiteiras, que se agravaram ao longo da estação. Nos meses de janeiro e fevereiro de 2025 somente 42,6% e 28,3% das horas avaliadas propiciaram conforto térmico aos animais.

Em fevereiro, ocorrências simultâneas de ondas de calor, com temperaturas máximas do ar acima de 35°C, e de precipitações pluviais irregulares e de baixo volume foram registradas, principalmente, nas regiões Central, Campanha e Noroeste. Destaca-se que nesta última se concentra a maior produção de leite do Estado”, salienta.

As duas pesquisadoras comentam que os produtores rurais tiveram que ficar atentos à exposição dos animais a estas condições desafiadoras, que levaram a declínios entre 24,5% a 28% na produção diária de leite. “Logo, estratégias de manejo tiveram de ser adotadas para minimizar estes efeitos ambientais e, assim, evitar prejuízos econômicos na atividade leiteira”, pontuam.