Desafios da Soja

Calor agrava dificuldades no desenvolvimento da soja no RS

Dias extremamente quentes, secos e de alta radiação solar marcaram a semana de 10 a 16 de janeiro no Rio Grande do Sul. As condições climáticas agravaram as dificuldades no desenvolvimento da soja. Em algumas lavouras há morte de plantas ainda na fase inicial do cultivo, segundo o Informativo Conjuntural divulgado hoje (20) pela Gerência de Planejamento da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr).

Apesar dessas condições, a situação foi atenuada pela presença de precipitações de volumes variados. Os cultivos avançam no ciclo, com 30% em floração, 7% cento em enchimento de grãos e 63% ainda em germinação e desenvolvimento vegetativo. O plantio atinge 97% da área total estimada para o Rio Grande do Sul, com avanço de dois pontos percentuais na última semana analisada.

A estimativa de perdas na regional de Passo Fundo chega a 20%, com 98% da área semeada. Os cultivos estão 100% em desenvolvimento vegetativo. Na de Erechim, 60% estão em estado vegetativo e 40% em floração e início de formação de vagem. Há perdas já consolidadas de em torno de 20% do rendimento previsto de 3.740 quilos por hectare. As chuvas amenizaram a estagnação do desenvolvimento, mas as plantas não estão com o tamanho normal para a época. A maioria dos produtores iniciou o primeiro tratamento fitossanitário.

Milho

A condição de tempo seco acelerou o processo de maturação e secagem dos grãos, fazendo avançar o percentual da área colhida de milho para 27% na média estadual. Os resultados obtidos são variáveis, dependendo do sistema de cultivo, irrigado ou sequeiro, e da maior ou menor incidência da estiagem durante o ciclo da cultura. Outros 25% estão em fase de maturação, 26% em enchimento de grãos, 8% em floração e 14% em germinação e desenvolvimento vegetativo. Assim como a soja, o plantio ainda não foi concluído e falta 4% da área total estimada no Estado.

Os menores rendimentos são obtidos em lavouras de milho não irrigadas cultivadas ao Norte, no Centro e no Oeste do Estado. Parte dos produtores optou por não colher grãos, em função do custo da operação e da baixa qualidade do produto obtido: poucas espigas malformadas e grãos com tamanho reduzido. Essas lavouras são destinadas ou à confecção de silagem de planta inteira ou ao pastejo direto.

Arroz

O plantio do arroz está concluído no Estado e 70% da cultura está em fase de germinação e desenvolvimento vegetativo, 24% em floração e 6% em enchimento de grãos. Entre os dias 10 e 16 de janeiro, as condições do tempo foram adversas ao bom desempenho do arroz. Além das dificuldades referentes à disponibilidade de água para irrigação, as temperaturas superaram os 40°C nas principais regiões produtoras do Estado. O calor extremo durante a fase reprodutiva pode causar a esterilidade de espiguetas e a não formação do grão, comprometendo o potencial produtivo dos cultivares.

No Centro e Oeste do RS, agricultores moderaram o uso de água para irrigação das lavouras, pois em parte das barragens e cursos d’água não há reservas acumuladas ou vazões suficientes para estender a operação até o final do ciclo. O gasto hídrico é potencializado também pelos solos mais secos e pela elevada evaporação. Rizicultores adotaram a estratégia de priorizar a irrigação em volume e frequência recomendados em glebas nas quais o arroz está em fase reprodutiva, irrigando parcial ou intermitentemente as que estão em fase vegetativa.

Fonte: Emater/RS-Ascar