Safra da uva

Safra de vinhos 2026 começa a ser avaliada no laboratório de referência do Estado

Microvinificação marca o início das análises e orienta produção e consumo de produtos da uva

Laboratório de referência do Estado faz milhares de análises de cada safra de uva | Foto: Elstor Hanzen/Seapi
Laboratório de referência do Estado faz milhares de análises de cada safra de uva | Foto: Elstor Hanzen/Seapi

Com a perspectiva de uma das safras de uva mais promissoras dos últimos anos no Rio Grande do Sul, o Laboratório de Referência Enológica Evanir da Silva (Laren) iniciou as primeiras avaliações técnicas da vindima 2026. Vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o laboratório recebe amostras destinadas à microvinificação — procedimento que resulta na produção de pequenos lotes de vinho e permite analisar variáveis qualitativas ainda durante a formação da safra.

Em janeiro, cerca de 30 amostras foram encaminhadas à cantina do Laren, em Caxias do Sul, para o início das análises. As coletas seguem o Plano Amostral do laboratório. Para este ano, estão previstas 252 amostras, coletadas em diferentes regiões produtoras do Estado ao longo do período de produção, entre janeiro e março.

Trabalho vai desde a coleta das uvas à análise isotópica | Foto: Elstor Hanzen/Seapi

A fiscal estadual agropecuária e engenheira agrônoma Fernanda Varela Nascimento explica que o processo envolve a retirada manual das bagas do cacho, o esmagamento das uvas, a fermentação em pequena escala e a realização de análises físico-químicas e isotópicas. Os resultados alimentam um banco de dados utilizado há mais de duas décadas como referência para o setor.

As análises mensuram parâmetros como teor de açúcar, acidez, densidade e outros indicadores que influenciam diretamente o perfil dos vinhos produzidos”, afirma Fernanda, responsável pelas microvinificações.

Processo de microvinificação acontece no laboratório em Caxias do Sul | Foto: Elstor Hanzen/Seapi

Para o gerente-geral e responsável técnico do Laren, Plínio Manosso, o trabalho realizado no laboratório representa uma etapa estratégica do ciclo produtivo. “A qualidade das uvas e a precisão das análises enológicas serão determinantes não apenas para o desempenho das vinícolas, mas também para a competitividade dos vinhos gaúchos nos mercados nacional e internacional”, destaca.

Banco com milhares de amostras

Desde 2004, o Laren elabora anualmente vinhos genuínos por meio de microvinificações, que compõem um banco de referência utilizado em análises isotópicas e cromatográficas. Ao longo de 21 anos, foram vinificadas 6.075 amostras de uvas exclusivamente pela equipe da Seapi que atua no laboratório. Esse trabalho resultou em aproximadamente 15 mil garrafas armazenadas no local, referência para verificação da qualidade de cada safra.

Em 2025, o Laren recebeu mais de 1,6 mil amostras relacionadas a ações de fiscalização ou prestação de serviços, o que gerou mais de 10 mil análises — considerando vinhos, sucos e outros derivados da uva e do vinho. O laboratório também é o único do Brasil a realizar a análise de água exógena no vinho, método que permite identificar a presença de água adicionada além daquela naturalmente presente na fruta.

Banco com acevo de vinhos existe desde 2004 | Foto: Elstor Hanzen/Seapi

As amostras são analisadas e os vinhos resultantes servem como referência para identificar fraudes em sucos e vinhos, por meio da comparação com produtos comerciais, utilizando a razão isotópica de carbono e oxigênio. Um dos objetivos é coibir fraudes”, explica Manosso.

O número de amostras coletadas anualmente é definido com base na produção do ano anterior, considerando município e variedade. As coletas para as microvinificações são realizadas por fiscais estaduais agropecuários em todas as regiões vitícolas do Rio Grande do Sul, como a fiscal estadual agropecuária e engenheira agrônoma Carolina Scienza, que atua no Laren.

Produção acima da média histórica

A projeção para a safra 2025/2026 no Rio Grande do Sul indica crescimento no volume colhido em relação aos padrões recentes, com estimativa superior a 900 mil toneladas, segundo dados da Emater/RS-Ascar. O total representa um aumento de 5% a 10% em comparação com uma safra considerada normal. Em relação à colheita anterior, avaliada como positiva, o incremento projetado é de cerca de 5%.

A expectativa se sustenta nas condições climáticas registradas ao longo do ciclo e nos dados de área cultivada, que reforçam o Estado como principal referência nacional da vitivinicultura.

O desempenho da safra também evidencia o peso socioeconômico do setor. Cerca de 15 mil famílias, em sua maioria agricultores familiares, atuam diretamente no cultivo da uva. O Rio Grande do Sul possui aproximadamente 42,4 mil hectares plantados, dos quais 36,6 mil hectares estão concentrados na Serra Gaúcha, principal polo de produção e processamento de uvas do país.

Fonte: Seapi