Integração arroz e soja

Como a integração entre arroz e soja está escalando a rentabilidade no Sul

Como a diversificação de culturas na várzea e o ajuste na gestão operacional são os pilares para produtores enfrentarem crises e garantirem o futuro do negócio

O setor arrozeiro de Santa Catarina vive um momento de transformação técnica e gerencial. Para Júlio Catoni, consultor e proprietário da Farmer UP, o produtor que deseja se manter competitivo precisa olhar para além do manejo tradicional. Em conversa recente, ele detalhou como a introdução da soja em áreas de várzea e a correção de falhas operacionais básicas são as chaves para uma “rentabilidade de nível superior”.

Segundo Catoni, o cenário atual exige uma postura mais empresarial. Muitos produtores ainda sofrem com baixas produtividades devido a “gaps” que poderiam ser resolvidos com gestão. “Hoje a gente vê falhas operacionais, falhas de produtividade, falhas de administração. O produtor está buscando inovar dentro do próprio negócio para passar por esses períodos de crise usando o que está conseguindo”, afirma o consultor.

O fim da era da monocultura

Um dos pontos centrais da análise de Catoni é a necessidade de romper com o plantio exclusivo de arroz. Ele defende que a rotação de culturas não é apenas uma escolha técnica, mas uma estratégia de sobrevivência econômica. “Acredito que o trabalho com monocultura só é arriscado. Eu não posso, hoje, manter uma empresa dentro da empresa sem ter uma rotação, ou algo que mude o patamar de rentabilidade dos negócios”, destaca.

A soja surge como a principal protagonista nessa mudança em Santa Catarina. Catoni aponta que colheitas recentes em áreas de várzea atingiram patamares impressionantes, chegando a colher até 112 sacas por hectare em determinadas condições. Esse resultado tem motivado produtores a buscarem novas tecnologias para adaptar o solo e o maquinário para a cultura.

Gestão e Sucessão

A eficiência no campo também passa pela “seleção natural” do mercado. Catoni observa que, em estados como o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, o número de produtores tem diminuído, mas os que permanecem estão se tornando maiores e mais eficientes. Para ele, o futuro pertence àqueles que profissionalizarem a lida diária.

“Os produtores mais eficientes, selecionados, serão os que vão alicerçar esses negócios para frente. Novas tecnologias terão sim a expectativa de longo prazo”, explica Catoni, reforçando que a constância e o planejamento são fundamentais para manter a saúde financeira da propriedade.

Para o consultor, o momento é de “surfar a onda” das novas oportunidades de mercado, mas com os pés no chão e foco na operação. “Não adianta querer manter os mesmos modelos esperando resultados diferentes; a busca pela rentabilidade deve ser constante”, finaliza.