Arroz

Chuvas e umidade elevada atrasam colheita do arroz

As produtividades estão satisfatórias e a média estimada é de 8.376 quilos por hectare, conforme o Irga

Colheitadeira no campo. Close de um carretel. Época de colheita.
Chuva e umidade elevada atrasam a colheita de arroz | Foto: Banco de imagens

A colheita de arroz no Rio Grande do Sul avançou em ritmo menos acelerado, sendo adiada, em parte dos dias, pela ocorrência de chuvas e pela elevada umidade relativa do ar, fatores que dificultam a secagem dos grãos, segundo o Informativo Conjuntural divulgado na quinta-feira pela Emater/RS-Ascar.

No entanto, as precipitações não causaram danos significativos às plantas maduras, apenas alguns casos de acamamento em razão de ventos fortes. Porém, considerando que há grandes extensões de lavouras maduras, as chuvas mais frequentes geram certa apreensão entre os orizicultores, pois a redução de umidade nos grãos ocorre de maneira mais lenta e a formação de barro atrapalha o trânsito nas estradas de acesso aos talhões em colheita.

O déficit hídrico no cultivo foi praticamente eliminado com os volumes expressivos de chuva registrados, que garantiram disponibilidade suficiente de água nos reservatórios para a conclusão do ciclo de irrigação das lavouras implantadas tardiamente em dezembro. As produtividades estão satisfatórias, e a média estimada é de 8.376 quilos por hectare.

Na região administrativa da Emater/RS-Ascar de Bagé, a colheita prosseguiu célere em Uruguaiana, onde se concentra a maior área cultivada com arroz. Mais de 60% dos 76,5 mil hectares foram colhidos, e há relatos de excelentes produtividades e boa qualidade dos grãos.

Em Itaqui, 67% dos 67 mil hectares plantados foram colhidos, e a produtividade média é de 9,3 mil quilos por hectare. Entretanto, espera-se redução nos rendimentos nas lavouras mais tardias, que sofreram restrições hídricas em momentos críticos do ciclo e menor disponibilidade de radiação solar na fase reprodutiva. Em Quaraí, 25% da área cultivada (cerca de 11 mil hectares) foi colhida, e as produtividades superam 10 mil quilos por hectare. Os rendimentos de grãos inteiros variam entre 56% e 60%.

Na de Pelotas, a maioria das lavouras (58%) está na fase de maturação e pronta para a colheita; 3% estão na etapa de enchimento de grãos; e 39% foram colhidos. Em alguns municípios, a operação está mais adiantada: em Piratini, 100% da área foi colhida; em São Lourenço do Sul, 85%; e em Cerrito, 80%. A produtividade varia entre 8 mil e 10,2 mil quilos por hectare, refletindo as diferenças nas condições edafoclimáticas e no manejo adotado pelos produtores.

Na de Santa Rosa, a colheita foi finalizada, e os produtores aguardam a recuperação das cotações para a comercialização da safra. Diante dos bons rendimentos obtidos, há intenção de ampliar o custeio da próxima safra.

Na de Soledade, a colheita alcançou aproximadamente 40% da área. A produtividade está, em geral, elevada, assim como a qualidade dos grãos, uma vez que a disponibilidade hídrica foi adequada na maior parte das lavouras. No entanto, há registros pontuais de grãos falhados devido às altas temperaturas durante a floração. Atualmente, 30% das lavouras encontram-se em enchimento de enchimento de grãos e 30% em maturação.

Preços em baixa

Em março, o Indicador Cepea/Irga-RS do arroz em casca (58% de grãos inteiros e pagamento à vista) acumulou forte baixa de 14%, encerrando o mês a R$ 77,30/saca de 50 quilos e voltando aos patamares nominais registrados em outubro/22.

Segundo pesquisadores do Centro de Estudos em Economia Aplicada (Cepea), a pressão vem da expectativa de maior oferta e do ritmo mais acelerado da colheita nesta temporada. Além disso, o recuo nas cotações internacionais, divulgados pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), e os níveis de preços das importações reforçam as quedas domésticas.

Ainda conforme o Cepea, vendedores seguem retraídos, na expectativa de que os atuais patamares favoreçam a exportação, visando enxugar excedentes e dar sustentação aos valores internos. Enquanto fazem caixa com vendas de outros grãos, já sinalizam possível redução de área para a próxima temporada.

As unidades de beneficiamento, por sua vez, seguem indicando dificuldades na comercialização e na manutenção dos preços do arroz beneficiado junto aos grandes centros consumidores, também alegando margens apertadas. De modo geral, compradores consultados pelo Cepea não demonstraram grande interesse em negociar e estão recebendo principalmente arroz a depósito.