Coronavírus traz incerteza para economia gaúcha

O surto de coronavírus na China acende alerta entre segmentos exportadores do Rio Grande do Sul. Há incertezas sobre o impacto que a doença pode causar na economia global, mas a turbulência registrada nos últimos dias pelo mercado financeiro traz preocupação ao Estado. A ameaça é de que o problema sanitário represente entrave às vendas para a potência asiática.

Assim que as primeiras informações sobre o vírus surgiram na semana passada, bolsas de valores passaram a cair, e o dólar ganhou força em relação a moedas como o real. Toda essa turbulência desagrada exportadores, porque gera imprevisibilidade na hora de fechar negócios.

Nesta quarta-feira (29), o dólar subiu 0,59%, cotado a R$ 4,219, maior marca desde novembro. A bolsa de valores de São Paulo (B3) recuou 0,94%, a 115.384 pontos.

"Até o momento, não há motivos para entrar em pânico. Mas problemas como o do coronavírus trazem dose imensa de incertezas para a economia. Os mercados ficam mais sensíveis. Isso dificulta os negócios, porque podem dar uma travada, desacelerando", afirma Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

A China é dona da segunda maior economia do mundo e o principal destino das exportações brasileiras. Em 2019, os embarques para o país asiático somaram US$ 62,9 bilhões, indica o Ministério da Economia. Isso quer dizer que os chineses abocanharam 28,1% de tudo o que o Brasil exportou no ano passado. A título de comparação, as vendas para os Estados Unidos, segundo parceiro da lista, representaram 13,2%.

O Brasil negocia com a gigante asiática, principalmente, produtos do agronegócio, setor com grande peso na economia gaúcha.

Em 2019, a soja permaneceu como a mercadoria mais vendida aos chineses. De janeiro a dezembro, os embarques do item somaram US$ 20,5 bilhões.

Empresas gaúchas com operações na China estão em compasso de espera por novos desdobramentos da situação. Conforme apuração da colunista de GaúchaZH Marta Sfredo, o cancelamento de viagens de executivos entre o Brasil e o país asiático é parte das medidas adotadas devido à doença.

Na reta final de 2019, para compensar dificuldades internas, a China intensificou a compra de carne em Estados como o Rio Grande do Sul. O maior apetite asiático resultou em aumento de preços para consumidores gaúchos.

Complicações

Segundo Luz, outro risco que o coronavírus traz à economia do Estado é o de dificuldades para transportar produtos. Em razão da doença, a circulação de bens e pessoas é abalada no território chinês. Companhias áreas anunciaram suspensão de voos para o país asiático, que também fechou atrações turísticas.

"Com o problema, as entregas de produtos podem demorar mais. Talvez o impacto econômico seja pequeno. Mas, se a situação se alongar, com contenção na área de logística, precisaremos voltar para as planilhas e refazer os cálculos", observa Luz.

O coronavírus é, em menos de um mês, o segundo risco vindo do Exterior à retomada brasileira em 2020. Antes do surto na China, o conflito entre Irã e Estados Unidos também causou turbulência em janeiro, lembra o professor de Economia Internacional Argemiro Brum, da Universidade Regional do Noroeste do Rio Grande do Sul (Unijuí).

"O vírus pode dificultar exportações ao mercado chinês. A situação tende a frear o desempenho da economia mundial, dificultando negócios. Assim, pode complicar a recuperação projetada para o Brasil em 2020. A questão é que ainda não sabemos o tempo de duração do problema", diz Brum.

A China é a principal origem das mercadorias compradas pelo Brasil no Exterior. Em 2019, as importações de mercadorias do país asiático somaram US$ 35,3 bilhões, conforme o Ministério da Economia, sendo 19,9% de todos os bens adquiridos por empresas brasileiras no mercado internacional. 

As informações são do GaúchaZH.

Fonte: MilkPoint

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