Alfafa: potencial de produção de sementes no semiárido brasileiro

A produção de sementes de alfafa de variedades adaptadas constitui condição fundamental para a difusão do cultivo dessa forrageira no Brasil. A dificuldade de se encontrar sementes no mercado brasileiro, aliado ao alto custo de sua importação, cria a necessidade de se desenvolver tecnologias próprias às condições tropicais. Há décadas a “Crioula” é a única variedade cultivada no Brasil, com adaptabilidade e boa persistência na Região Centro-Sul. Contudo, a multiplicação de sementes esbarra em sérios problemas edafoclimáticos, o que nos torna dependentes de outros países como o Chile e a Argentina.

Os principais critérios de seleção para obtenção de cultivares de alfafa continuam sendo rendimento de forragem, persistência do estande, tolerância a solos ácidos - típicos do cerrado - e resistência múltipla a pragas e doenças. A incorporação de novas técnicas, tais como o uso de marcadores moleculares e a transgenia, permitirão detectar de forma mais eficiente os genótipos resistentes. Contudo, desenvolver e indicar cultivares adaptadas, por meio de programas de melhoramento genético, não tem sentido se as sementes desses materiais não chegarem ao produtor em condições satisfatórias de qualidade e a baixo custo.

Apesar de não se contestar a qualidade nutricional e o potencial produtivo da alfafa, esta leguminosa é cultivada no Brasil em apenas 40.000 ha, situação atribuída, entre outros fatores, ao alto custo de produção, principalmente, pela grande dependência de sementes importadas da Califórnia, EUA. Para se conseguir uma produção viável de alfafa, recomenda-se densidade de plantio de 15 kg de sementes/ha, que chega ao produtor ao custo aproximado de R$90,00/kg.

A produção nacional de sementes de alfafa de variedades adaptadas em quantidade e com qualidade (genética e cultural) constitui condição fundamental para a difusão e a expansão da cultura no Brasil. Para isso é necessário identificar locais adequados à sua produção e desenvolver pesquisas a respeito.

A produção de alfafa requer dias ensolarados e quentes, com pouca ou nenhuma precipitação pluvial da maturação à colheita, condições encontradas no semiárido brasileiro. Para se chegar a esta conclusão, a Universidade Federal de Campina Grande e a Embrapa, por meio dos pesquisadores Rosilene Agra da Silva e Reinaldo de Paula Ferreira, respectivamente, firmaram parceria com o objetivo de testar a produção de sementes de alfafa no semiárido, que tem potencial para se tornar um polo nacional de produção. Produzir essas sementes, além de viabilizar a expansão da cultura, pelo menor custo de implantação, poderá ainda tornar-se uma fonte de renda extra para o agricultor.

O primeiro corte foi feito com 80% das plantas florescidas e, no corte subsequente, permitiu-se que a planta florescesse e produzisse sementes. Próximo ao experimento foi instalado uma caixa de abelhas para efetuar a polinização. É essencial estudar também o uso de polinizadores eficientes e, em alguns casos, contemplar a domesticação e o uso comercial de espécies polinizadoras nativas. As sementes colhidas foram secas à sombra e posteriormente limpas e pesadas. A produção média de sementes foi inacreditavelmente de 1.280 kg/ha, com alto poder germinativo e com boa qualidade sanitária.

Mais uma vez o Brasil surpreende, mostrando o seu potencial de diversificação agrícola. Na Califórnia, de onde se importa basicamente toda a semente de alfafa consumida no Brasil, a produção anual é de aproximadamente 1.000 kg/ha. No semiárido brasileiro são possíveis duas colheitas anuais e, consequentemente, com potencial de produção maior do que o obtido nos EUA, principal produtor mundial de sementes de alfafa.

Assim, mais uma vez se comprova a vantagem de se ter parcerias certas no lugar certo. Graças a este trabalho pioneiro entre a Universidade Federal de Campina Grande c a Embrapa, foi possível demonstrar a viabilidade de se produzir sementes de alfafa em território nacional, eliminando a dependência de se importar sementes dos EUA ou de multiplicá-las em outros países latino-americanos, o que estimulará a expansão da cultura no país.

Por ser uma planta multifacetada, apresenta um potencial de uso sem igual, que vai da indústria farmacêutica e cosmética, à alimentação humana. Na pecuária se destaca pelas características inigualáveis de qualidade para compor a alimentação de bovinos, caprinos, equinos e pequenos animais (pets), como alimento exclusivo ou complementar. Neste cenário promissor e de grande potencial de utilização está equacionado um dos principais gargalos para viabilizar a introdução e difusão da alfafa no sistema agroindustrial brasileiro.

Fonte: MilkPoint 

Redação Destaque Rural
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