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Para pensar o futuro

Por Coriolano Xavier* 

O nível de desemprego de Santa Catarina foi o menor do país, no terceiro trimestre do ano: 5,8% foi o índice, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), divulgada pelo IBGE no final de novembro. Se não é uma situação do chamado "pleno emprego", como acontece hoje nos Estados Unidos (desemprego de apenas 3,6%, em outubro último), é de qualquer modo um resultado bem atípico no atual contexto brasileiro, cuja taxa geral de desemprego registrou 11,6% no mesmo estudo do IBGE, vindo de patamares mais altos, ao redor de 13%, em tempos recentes. O que acontece lá nas terras catarinenses?

Não é coisa que se explique totalmente em apenas poucas linhas, pois economia é algo bem complexo. Mas o primeiro aspecto a se lembrar é a presença marcante do agronegócio no Estado, principalmente em produção animal (suínos, aves e leite). Atribui-se ao setor mais de 30% do PIB estadual, na perspectiva de suas cadeias produtivas. O Estado também tem um dinâmico setor de serviços (33% do PIB estadual), impulsionado pelo comércio e turismo. E, fechando o círculo, um setor industrial relevante em áreas como têxtil, metal mecânica e alimentos, entre outros.

Três pilares em razoável equilíbrio, sustentando o nível de atividades econômicas do Estado: indústria, serviços e agronegócio. Este último com perfil de forte integração internacional e bastante voltado à comercialização de produtos de maior valor agregado. Planta milho, com ele produz frango e suíno, depois vende a proteína animal em cortes especiais, diversos níveis de processamento e de conveniência para consumo, além de marketing competitivo no mercado interno e externo. Integração e governança calibrada de toda a cadeia do agronegócio, do campo à mesa, esteja ela onde for no planeta.

Capítulo mais do que relevante nessa orquestração é o cooperativismo catarinense, que responde por mais da metade da produção vegetal do Estado e, na produção animal, assume relevância ainda maior. Por exemplo, é o responsável por perto de 70% dos suínos produzidos em Santa Catarina, o maior produtor e exportador dessa carne, no país.

Quando se está na chuva, difícil não se molhar. E a severa crise econômica brasileira deixou seus efeitos sobre Santa Catarina, certamente. Mesmo assim, o desemprego lá é muito mais baixo, o PIB estadual vem crescendo (4% em 2017, último dado do IBGE) e sua economia se internacionalizando. Cada caso é um caso, sempre. Mas há que se prestar atenção na receita do estado sulista, como fonte de reflexão: equilíbrio entre os três pilares de sua economia; cooperativismo como propulsão econômica e promoção social no campo; governança integrada das cadeias produtivas do agro, potencializadas por estratégias de marketing assertivas e permanentes. 

*Membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS) e Professor da ESPM.

Fonte: Alfapress

Redação Destaque Rural
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