Como os consumidores se sentem em relação à carne e lácteos produzidos em laboratório?

Novas pesquisas da empresa de marketing estratégico Charleston | Orwig sugerem que os consumidores mais jovens estão abertos à ideia de carne cultivada em células e leite e sorvete feitos com microrganismos, ao invés de obtido de vacas, mesmo quando descritos em termos distintos e neutros como “cultivado em laboratório” e “sintético”.

“Seja whisky molecular, laticínios à base de flora ou proteínas feitas do ar, está em andamento um esforço para desenvolver alimentos sintéticos e feitos em laboratório”, disse Charleston | Orwig. Para avaliar as percepções dos consumidores sobre esses produtos, a Charleston | Orwig trabalhou com dois parceiros de pesquisa, Maeve Webster, da Menu Matters e Condential Consumer, abordando 500 consumidores nos EUA.

Principais descobertas: aceitação dividida dos consumidores

De acordo com a pesquisa, que usou termos "carregados" e "negativos", como "sorvete vegano sintético" e "carne cultivada em laboratório", mais da metade dos entrevistados estava aberta à ideia de tais produtos, embora o termo “agricultura celular” tenha tido um conhecimento mínimo por parte dos consumidores.

Pouco mais de 40% dos entrevistados descreveram o conceito de produtos criados com essas novas tecnologias como “assustadores”, sem intenção de adicioná-los às dietas – talvez sem surpresa, dada a terminologia usada.

Notavelmente, os consumidores mais jovens (geração Z e geração do milênio) estavam significativamente mais dispostos a experimentar os alimentos produzidos dessa maneira inovadora, pois apenas 26% das pessoas de 18 a 34 anos chamaram esses alimentos de “assustadores” e disseram que não estariam dispostos a experimentá-los, comparados a 46% daqueles com mais de 55 anos. Cerca de 20% dos consumidores mais jovens concordaram que esses tipo de produto ajudará a “salvar o planeta” e que são “legais” e o “futuros dos alimentos e bebidas”.

“Existe uma consciência emergente nos americanos, especialmente da geração mais jovem, de que novas tecnologias se tornarão parte de nosso sistema alimentar”, disse Mark Gale, CEO da Charleston | Orwig. “No entanto, para a maioria dos consumidores que desejam experimentar alimentos sintéticos e baseados em laboratório, a transparência e mais informações serão essenciais para a adoção desse hábito. Eles se perguntam: o que há nele? Como é feito? É seguro comer isso?”

Maiores preocupações

A preocupação número 1 relatada por 33,4% dos consumidores na pesquisa foi a falta de entendimento sobre os impactos na saúde no longo prazo causados por consumir o que Gale descreveu como alimentos e bebidas “sintéticos ou produzidos em laboratório”. Esses são termos aos quais as partes interessadas se opõem fortemente, considerando que, em escala comercial, esses alimentos serão produzidos em fábricas, como todos os outros alimentos embalados, e que não há nada “sintético” na carne ou nos laticínios reais, produzidos de maneira alternativa.

Um quarto dos consumidores (25,2%) expressou preocupação com a saudabilidade desses produtos, comparados a alimentos produzidos convencionalmente. Outras cinco principais preocupações: alimentos ou bebidas “produzidos em laboratório” não seriam melhores para o meio ambiente (21,6%); não incluiria ingredientes naturais (19,2%); e seriam produtos completamente processados (19%).

As gerações Z e Millennials se mostraram menos preocupadas com a saudabilidade desses produtos, com apenas 15% indicando isso como um problema. Como aconteceu com outras tecnologias alimentares, Charleston | Orwig prevê que o tempo e a exposição contínua ajudarão a lidar com as preocupações dos consumidores. “Hoje, os agricultores americanos estão cada vez mais utilizando ferramentas de alta tecnologia, como imagens de satélite, para cultivar alimentos”, disse Gale.

“Ainda não sabemos se um nugget de frango cultivado em laboratório, sorvete vegano sintético ou mesmo vinho criado em laboratório fará parte do nosso consumo diário de alimentos. Mas sabemos que essas inovações continuarão a quebrar barreiras. Construir novas marcas e proteger os líderes existentes será cada vez mais complicado. É definitivamente um momento emocionante para se envolver com a indústria de alimentos e bebidas", finalizou.

As informações são do GlobalMeatNews.com, traduzidas pela Equipe MilkPoint.

Redação Destaque Rural
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