Agricultura

Trigo: reuniões para discutir ajustes no zoneamento agrícola

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) do trigo estará em discussão neste momento nas principais regiões produtoras desse cereal no Brasil, reunindo assistência técnica, pesquisadores, representantes de seguradoras, agentes financeiros e responsáveis por formulação de políticas públicas. As agendas acontecem no dia 27/11 em Passo Fundo, RS; dia 03/12 em Londrina, PR e no dia 05/12 em Uberaba, MG. O objetivo dos encontros, promovidos pela Secretaria de Política Agrícola do MAPA e Embrapa, é levantar contribuições do setor produtivo e agentes financeiros para aprimoramentos no sistema que visa a reduzir perdas por adversidades climáticas nas lavouras de trigo. 

O Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) é um instrumento de política agrícola e gestão de riscos na agricultura. Baseado em séries históricas de clima, modelagem e simulação de riscos, o ZARC permite identificar as janelas de plantio em que há menor chance de frustração de safra devido a eventos climáticos adversos para mais de 40 culturas agrícolas e sistemas de produção, em todos os municípios do território nacional. O estudo permite a cada município identificar a melhor época de plantio, nos diferentes tipos de solo e ciclos, de acordo com as características e necessidades de cada cultura, a partir de uma metodologia validada pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e adotada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). O atendimento às recomendações do ZARC é obrigatório para o agricultor acessar os recursos do Programa de Garantia de Atividade Agropecuária (Proagro), do Proagro Mais e do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

O primeiro cultivo a ter sua política de crédito e seguro rural embasada num zoneamento de risco climático no Brasil foi o trigo, na safra de inverno de 1996. Até então, segundo conta o agrometeorologista da Embrapa Trigo Gilberto Cunha, os zoneamentos de aptidão de cultivo, que não quantificavam e nem levavam em consideração os riscos regionais associados, eram usados apenas como referência nos livros de informações técnicas. “Nós tivemos o privilégio de coordenar esse trabalho que, por ser novo na ocasião, suscitou muitos questionamentos, mas acabou aceito por ser cientificamente bem embasado. O ZARC vem sendo usado desde então, com as suas atualizações anuais”, lembra o pesquisador.

De acordo com o analista da Embrapa Trigo Marcelo Klein, os ajustes no zoneamento agrícola do trigo são uma demanda do setor produtivo: “Muitas vezes o sistema considera a indicação geográfica e a base histórica do clima, mas precisa de adaptações para representar o microclima local. Um município ao lado pode apresentar variações de solo, temperatura ou precipitações durante a mesma safra”. As discussões do ZARC para RS e SC acontecem na Embrapa Trigo (Passo Fundo, RS), no dia 27/11, às 14h.

No Paraná, é possível identificar três regiões distintas de cultivo: fria e úmida; quente e úmida; e quente e moderadamente seca. “Somente ouvindo os usuários do sistema poderemos disponibilizar um modelo que condiz com a realidade. A utilidade do ZARC depende da usabilidade da ferramenta. É uma construção coletiva e em constante aperfeiçoamento”, avalia o pesquisador da Embrapa Soja André Prando. A reunião para discutir ZARC no PR, MS e SP está marcada para o dia 03/12, na Embrapa Soja (Londrina, PR), às 14h.

A época de chuvas bem definida no Brasil Central é limitante para definir a implantação das lavouras de trigo. A reunião de validação do ZARC para a cultura do trigo no Brasil Central acontece no dia 05/12, às 14h, no anfiteatro do CETA, em Uberaba/MG, junto com a programação do Seminário Técnico de Trigo.

Estimativas da Embrapa apontam que os impactos associados ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC) trouxeram uma economia de cerca de R$ 16,8 bilhões para o agronegócio brasileiro no ano passado.

Fonte: Embrapa

Redação Destaque Rural
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