“Acredito que a mulher precisa ter segurança e aceitar mais desafios”

Quem vê mulheres coordenando equipes, formando-se como profissionais nas mais diversas áreas, seja das exatas, das engenharias, da tecnologia ou mesmo das ciências agrárias, pode não ter a dimensão do preconceito e dos desafios enfrentados por gerações de meninas, mães e avós, para que ocorresse essa evolução do pensamento e da cultura da sociedade.

Um exemplo de protagonismo feminino é desenvolvido pela engenheira agrônoma Celi Webber Mattei, egressa da Universidade de Passo Fundo (UPF) e atualmente responsável técnica na empresa Sementes Webber, em Coxilha. A profissional esteve na UPF na última quinta-feira, dia 12 de setembro, palestrando sobre o tema “Liderança e protagonismo feminino”, para estudantes do curso de Agronomia. Celi é mãe e avó, mas também atua como profissional há mais de 30 anos no agronegócio.

Celi foi ganhadora do 1º Prêmio Mulheres do Agro, promovido pela empresa Bayer na categoria Grande propriedade. Conforme a engenharia agrônoma, a participação das mulheres no mercado evoluiu bastante nos últimos anos. “Do tempo que comecei, que faz 37 anos, tem aumentado bastante a participação da mulher no agro e em outras áreas também. Acredito que a mulher precisa ter segurança e aceitar mais desafios. De todo o conhecimento que adquiri participando de eventos e palestras, vi a importância de a mulher se desenvolver, buscar mais conhecimento”, comentou.

Contudo, para Celi, um dos desafios enfrentados pelas mulheres é a necessidade de conciliar maternidade e carreira profissional. “É importante ter uma rede de auxílio para que ela possa se organizar atuando em diferentes áreas”, afirmou.

Atuação em comunidade

Celi é exemplo não somente pela atuação profissional, mas também pelo protagonismo desenvolvido em sua comunidade. Criadora do Projeto Viver na cidade de Coxilha, Celi explica que o projeto visa proporcionar desenvolvimento social e humano por meio de oficinas desenvolvidas em diferentes áreas para crianças e adolescentes.

Na propriedade rural, além dos desafios de sucessão familiar e reconhecimento da atuação das mulheres como profissionais capacitadas, Celi destaca que ainda hoje a mulher precisa provar que é capaz. “A cultura machista, por meio do preconceito, ainda está muito presente, mas vejo que se você tem o conhecimento e segurança, isso não se manifesta. Contudo, é cansativo para a mulher, desgastante, porque ela tem que provar que pode ficar naquele lugar, ela precisa saber conquistar o mundo, tendo que provar três vezes mais que ela pode fazer o mesmo trabalho”, afirmou.

De acordo com a professora do curso de Agronomia, Dra. Carolina Deuner, as mulheres vêm aumentando sua atuação no agronegócio, buscando qualificação profissional, sendo que, no passado, o curso tinha uma predominância muito forte do sexo masculino, algo que vem mudando com o tempo. “Nós promovemos esse evento para incentivar nossas estudantes, colaboradoras e professoras a se enxergarem dentro do mundo agro, porque hoje, dentre os acadêmicos, 40% são do sexo feminino e 60%, do sexo masculino. Esse universo já foi muito diferente, pois o curso era predominantemente masculino. A gente costuma dizer que não existe diferença entre homens e mulheres, o que estamos destacando é que o mundo feminino está crescendo muito dentro da agronomia. As mulheres têm ocupado cargos em cooperativas, na parte de liderança e na parte do campo, e percebemos que têm se especializado mais também”, finalizou Carolina.

Fonte: Assessoria de Imprensa UPF

Redação Destaque Rural
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