Agronegócio

Brasil não pode atender as necessidades de soja da China

09/08/2019
Brasil não pode atender as necessidades de soja da China

Fonte: Sec. de Agricultura do RS

Brasil não pode atender as necessidades de soja da China

A China provavelmente não pode contar apenas com o Brasil para suprir suas necessidades de soja, já que o país asiático paralisou as compras de produtos agrícolas dos Estados Unidos em meio à guerra comercial de um ano.

Quando Donald Trump deu início à disputa de tarifas no ano passado, o Brasil tinha acabado de fechar uma safra alta, permitindo que o maior exportador de soja do mundo atendesse quase exclusivamente à demanda voraz da China. Mas depois de enviar volumes recordes e uma estação de crescimento que viu problemas climáticos, os estoques brasileiros estão diminuindo e a próxima safra está a meses de distância.

Isso poderia criar um problema para a China, maior consumidora de soja. Depois que Trump aumentou a briga comercial na semana passada, a nação asiática suspendeu suas compras de produtos agrícolas americanos. Isso deixa poucas alternativas para o Brasil. A Argentina pode ser uma opção, mas os agricultores atualmente estão acumulando grãos em meio às próximas eleições.

Já há evidências de um aperto na oferta. Os estoques de soja do Brasil caíram cerca de 80% desde o ano passado, e as exportações do país recuaram 8% até julho, enquanto as cargas para a China caíram 11%. Os prêmios para embarques do país estão em alta.

A partir de setembro, o Brasil terá apenas cerca de 15,7 milhões de toneladas de soja a serem embarcadas até o início da colheita, em janeiro, de acordo com Daniele Siqueira, analista da consultoria AgRural. A previsão é baseada no fornecimento total disponível, nos dados de remessa até julho e no que é necessário para o consumo doméstico.

Esse número ficaria aquém da demanda típica da China no período. O país importou em torno de 7 milhões de toneladas por mês de outubro a dezembro nos últimos três anos, em média, informou Vinicius Ito, vice-presidente de derivativos da RJ O'Brien and Associates LLC, citando dados oficiais chineses.

Os preços no Brasil já estão subindo em meio às perspectivas de oferta apertada. O prêmio pago pelos embarques de soja em setembro subiu cerca de 32% esse mês. E os futuros de referência negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) caíram 1,7%.

"Os prêmios devem ser ajustados, já que há apenas o Brasil no jogo no momento", disse Ito em entrevista por telefone de Nova York.

Os prêmios ainda estão bem abaixo dos recordes alcançados no ano passado, Isso porque a demanda da China diminuiu um pouco. A disseminação da peste suína africana no país está dizimando o rebanho de suínos, diminuindo a necessidade de soja na alimentação animal.

Enquanto isso, a doença aumentou as expectativas de que as importações de carne da China continuarão a aumentar a preencher a lacuna de oferta. Isso está levando os produtores de proteína do Brasil a aumentar a produção e pode acabar significando que mais soja será usada internamente, deixando menos para exportação.

Isso aumenta o espectro de mais demanda por suprimentos da Argentina, onde a produção de soja se recuperou depois de uma seca incapacitante no ano passado.

Mas os compradores terão dificuldade em conseguir suprimentos para longe dos agricultores argentinos, que estão à espera de uma temporada de eleições presidenciais que começa em 11 de agosto. Eles estão usando a safra, que é cotada em dólares, como um hedge contra a volatilidade para a votação e a possibilidade de reviravoltas políticas.

"Os agricultores da Argentina continuarão acumulando suas colheitas antes das eleições e das perspectivas dos prêmios na América do Sul devido à forte demanda chinesa", destacou Ito.

Tradução: Fernanda Custódio

Fonte: Bloomberg

Publicado por Fernanda Custódio

Formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Trabalha há mais de 6 anos com produção de conteúdos jornalísticos para o agronegócio.

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