Um doce (de leite!) para quem conseguir explicar!

Os preços do leite UHT no atacado (preço de venda da indústria aos canais varejistas) reagiram na semana passada e estão reagindo esta semana, depois de um longo período de quase 8 semanas de quedas consecutivas. Segundo o levantamento semanal realizado pelo MilkPoint Mercado, a cotação do derivado teve elevação de 4 centavos/litro na semana de 8 a 12 de julho, fechando em R$ 2,22/litro no valor médio pago na referência São Paulo, e vem subindo novamente nesta semana.

Ainda que esta movimentação possa sugerir uma recuperação de mercado, parece mais ser fruto de um endurecimento da negociação pela indústria na última semana, na tentativa de recompor suas margens, associada a fortes geadas no sul do Brasil, que atingiram as pastagens de inverno da região e reduziram o ritmo de crescimento da produção de leite por lá.

No entanto, dado o cenário econômico ainda deteriorado e tomando o exemplo da tendência dos preços do UHT no atacado no segundo semestre de anos recentes, não é seguro apostar num início de recuperação significativa de preços do derivado, ainda que ações para reativação da economia (como liberação dos recursos do FGTS) e o bom encaminhamento da reforma da Previdência possam indicar um ambiente mais favorável a um início de recuperação econômica no segundo semestre deste ano (observe, no gráfico 1, os preços médios mensais do leite UHT no atacado nos últimos anos e em 2019).

Gráfico 1. Preços médios mensais do leite UHT no atacado – Valores deflacionados pelo IGP-DI (*)

Fonte: MilkPoint Mercado. (*) – a média de julho/2019 é parcial

 

Neste cenário, depois de uma forte queda de quase 50 centavos/litro desde maio, os preços do mercado spot surpreenderam, com alta de 10 centavos/litro na média Brasil (e elevações de até 30 centavos/litro em algumas negociações verificadas pela equipe do MilkPoint Mercado – observe a evolução dos preços do leite spot, média Brasil, no gráfico 2).

Gráfico 2. Evolução dos preços do leite spot – Média Brasil – Valores deflacionados pelo IGP-DI

Fonte: MilkPoint Mercado

 

Assim, a dificuldade de fluxo de informações, do seu timing ao longo da cadeia produtiva (ao que os estudiosos chamam de coordenação) e das variações de preços ao longo da cadeia láctea brasileira fazem com que a mesma indústria que sinaliza, abruptamente, baixas de preço ao produtor da ordem de 20 a 30 centavos/litro entre julho e agosto (em função de seus baixos preços de atacado até o momento), aumente sua ação e seus preços no spot.

O mix de custo posto fábrica ajuda (um pouco) a entender, mas certamente não explica estas movimentações incongruentes da indústria no mercado. Definitivamente o mercado lácteo brasileiro não é para amadores ou, talvez, seja para muitos deles.

Fonte: MilkPoint

Redação Destaque Rural
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