Agronegócio

China x EUA: Conversas são retomadas essa semana

O secretário do Tesouro, Steve Mnuchin, disse que ele e o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, podem viajar a Pequim em breve para negociações comerciais, caso as conversas por telefone nesta semana forem produtivas.

"Esperamos ter outra convocação de nível principal essa semana, e na medida em que fizermos progressos significativos, acho que há uma boa chance de irmos para lá mais tarde", disse Mnuchin na última segunda-feira (15) em uma coletiva de imprensa na Casa Branca.

O telefonema planejado seria a segunda vez que os principais negociadores se manifestam desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu colega chinês, Xi Jinping, definiram uma trégua na guerra comercial durante o G-20, no final de junho. Os líderes concordaram em reiniciar as negociações para um acordo comercial, que entrou em colapso em maio, mas não deram um prazo concreto para chegar a um acordo.

"Acredito que você saiba que as duas equipes estiveram em contato", disse Geng Shuang, porta-voz da chancelaria chinesa, a repórteres em Pequim na terça-feira (16), recusando-se a dar mais detalhes sobre quando poderão falar por telefone ou se encontrar pessoalmente.

No início da semana, Trump indicou no Twitter que as tarifas dos EUA sobre a China estavam tendo o impacto pretendido ao pressionar a economia chinesa, "as tarifas dos Estados Unidos estão tendo um efeito importante nas empresas que querem deixar a China para países não tarifários. É por isso que a China quer fazer um acordo", tuitou o presidente norte-americano.

Os comentários de Trump vieram horas depois de a China divulgar números mostrando que o crescimento na segunda maior economia do mundo desacelerou para 6,2% no segundo trimestre, o ritmo mais fraco desde 1992, quando o país começou a coletar os dados.

Ofertas agrícolas

Enquanto isso, Trump reclamou na última semana que a China não estava cumprindo a promessa que havia feito na reunião do G-20 de aumentar as compras de produtos agrícolas americanos. A nação asiática, por sua vez, disse que está considerando comprar mais soja, milho e carne suína dos EUA como um gesto de boa vontade, mas que os volumes totais dependerão do progresso das negociações comerciais.

Durante a última semana de dezembro, a China já havia se comprometido a comprar mais de 20 milhões de toneladas de soja, carne suína e milho dos EUA. Depois que as negociações se desfizeram em maio, o país disse que continuaria com as compras, embora pedisse que algumas remessas fossem adiadas.

Os EUA esperam que a China anuncie compras significativas de produtos agrícolas norte-americanos, disse a repórteres Larry Kudlow, conselheiro econômico de Trump, na última segunda-feira, sugerindo que o passo é necessário para que as negociações comerciais entre os dois países avancem. "Esperamos que a China anuncie em breve algumas compras em grande escala de bens e serviços agrícolas", disse Kudlow.

Apesar da disputa comercial, Trump disse que o presidente chinês é seu amigo. "Eu costumava dizer que ele é um bom amigo meu, provavelmente não tão próximo agora", disse Trump a repórteres na segunda-feira na Casa Branca. "Mas eu tenho que ser pelo nosso país. Ele é para a China e eu sou para os EUA, e é assim que tem que ser", completou o líder norte-americano.

Mnuchin também disse que está "esperançoso" de que o Congresso aprove o USMCA, sucessor do Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Trump disse no início da semana que se os democratas bloquearem o acordo Estados Unidos-México-Canadá, ele recorrerá ao "Plano B", sem dar mais detalhes.

Tradução: Fernanda Custódio

Fonte: Bloomberg

Publicado por Fernanda Custódio

Formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Trabalha há mais de 6 anos com produção de conteúdos jornalísticos para o agronegócio.

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