Formas de antecipação da adubação na semeadura da soja

A adubação de semeadura antecipada é uma prática que tem proporcionado redução de custos operacionais, pois os atrasos durante a operação de semeadura resultam em decréscimos na produtividade, sendo uma das razões da necessidade de distribuir quantidades elevadas de adubo, no momento da implantação da cultura.

Essas quantidades implicam em maior tempo e número de abastecimentos da semeadora, influenciando na sua capacidade operacional. A antecipação da adubação pode trazer vantagens, reduzindo o custo na semeadura, pois nesse caso a adubação é realizada a lanço, reaproveitando as máquinas na operação, em período que estariam ociosas.

Dentre outros benefícios, ganha-se na hora da semeadura, instalando a cultura dentro do prazo do zoneamento agrícola, sendo dispensada a necessidade em se abastecer com o fertilizante, ganhando tempo, com mais rapidez em área semeada (LAGO, 2007).

Em muitas regiões do sul do Brasil tem ocorrido a antecipação da semeadura da soja dos meses de novembro ou dezembro (tradicionais) para outubro e até setembro. Isso foi possível, principalmente, pela disponibilização de cultivares de soja de ciclo precoce e de tipo indeterminado e motivado por relatos de aumento no rendimento de grãos da soja com essa antecipação.

 Além disso, em algumas regiões, a antecipação objetiva o encaixe de uma segunda cultura na mesma estação de crescimento, podendo ser a própria soja ou milho. Essa antecipação, apesar de aparentemente benéfica para a soja, pode ter reflexos nas culturas de inverno tradicionalmente antecessoras da soja como trigo e cevada.

Em trabalho apresentado e publicado nos anais do XLVI Congresso Brasileiro de Engenharia Agrícola, sessão de Engenharia de Água e Solo (EAS), realizado em Maceió – AL, Brasil, no ano de 2017, os autores Gláucia Luciane Cham Menezes Candido De Paula, Élcio Hiroyoshi Yano, Luiz Malcolm Mano De Mello, Vanessa Dias Rezende Trindade e Hermano José Ribeiro Henriques avaliaram a avaliar a porcentagem de cobertura do solo e população inicial de soja, semeado por dois mecanismos sulcadores (haste e disco), três condições de adubação (lanço, incorporado e dose zero de adubo) e duas épocas de distribuição do fertilizante (12 dias antes e no dia da semeadura), com 35 anos de SPD.

Esses autores concluíram que a semeadura realizada com disco proporcionou maior cobertura do solo e a melhor população inicial de plantas de soja, quando é realizada a adubação aos 12 DAS e sem fertilizante no mesmo dia da semeadura, porém estes fatores não foram influenciados pela forma e época de distribuição do fertilizante de semeadura.

Confira os resultados obtidos por esses autores abaixo:

Tabela 1. Valores médios de porcentagem de cobertura do solo e população inicial de plântulas de soja, semeado em dois tipos de mecanismos sulcadores e cinco condições de distribuição do fertilizante de semeadura.

Fonte: De Paula (2017).

Tabela 2. Valores médios de população inicial de plântulas de soja no desdobramento entre mecanismos sulcadores e modalidades de semeadura.

Fonte: De Paula (2017).

Em trabalho realizado por De Paula (2018) ao avaliar os modos de antecipação da adubação da semeadura da soja (verão) e sorgo (outono-inverno), constatou que para a cultura da soja, nos tratamentos que foram utilizados o mecanismo disco duplo houve aumento para população inicial e final, aumento de produtividade, e estabilidade populacional de plantas, e a adubação a lanço no dia da semeadura demonstrou ser mais viável, concluindo-se que a utilização do disco duplo e a distribuição a lanço no mesmo dia da semeadura de soja e sorgo proporcionou maior produtividade de grãos e apresentou ser o mais econômico.

Na Tabela 3 abaixo pode-se observar os resultados obtidos no trabalho. 

Tabela 3. Valores médios de produtividade de grãos(PG) de soja no desdobramento entre mecanismos sulcadores e modalidades de semeadura.

Fonte: De Paula (2018).

 

Fonte: MaisSoja

Redação Destaque Rural
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