Agronegócio

China considera comprar produtos agrícolas dos EUA

A China está considerando comprar alguns produtos agrícolas dos EUA como um gesto de boa vontade em meio à retomada das negociações comerciais entre Pequim e Washington, embora o volume provavelmente seja menor do que antes, segundo pessoas próximas as negociações entre os dois países.

As compras podem incluir soja, milho e carne de porco, ainda de acordo com fontes ligadas as negociações. O volume total ainda dependerá do progresso das negociações comerciais, embora seja provavelmente menor do que a quantidade de que a China se comprometeu a comprar durante a trégua anterior.

Os presidentes Donald Trump e Xi Jinping fecharam uma trégua no fim de semana à margem da cúpula do G-20 em Osaka, no Japão. Embora as aquisições em potencial possam oferecer algum conforto aos agricultores norte-americanos, o tom geral de cautela sugere que a China não está disposta a prometer demais sem um acordo. O plano não foi discutido com seus colegas americanos e não faz parte do atual acordo de trégua, disseram as fontes.

Durante a última semana de dezembro, a China se comprometeu a comprar mais de 20 milhões de toneladas de soja, carne suína e milho dos EUA. Depois que as negociações se desfizeram em maio, a nação asiática disse que continuaria com as compras, embora pedisse que algumas remessas fossem adiadas.

Alguns compradores chineses pediram que as ofertas de soja dos EUA fossem embarcadas para fora do noroeste do Pacífico, afirmou Dan Basse, presidente da consultoria AgResource Co., de Chicago.

Os contratos futuros de suínos em Chicago subiram cerca de 1% no pregão da quarta-feira (3), impulsionados pelas esperanças de compra de carne suína pelos EUA. "É essa manchete que nos fez aparecer cedo", disse Craig VanDyke, consultor de gerenciamento de risco da Top Third Ag Marketing.

Já os futuros da soja, geralmente a commodity agrícola mais sensível às notícias da China, subiram 0,8%, atrás dos ganhos nos futuros do milho.

O ceticismo

Um influente pesquisador agrícola chinês disse nesta semana que é improvável que Pequim comece a comprar grandes quantidades de produtos dos EUA em breve. Entre as barreiras estão as tarifas "tit-for-tat" que permanecem em vigor, bem como a tensão sobre a Huawei Technlogies Co., disse Li Qiang, presidente e analista chefe da Shangai JC Intelligence Co.

Comprar mais produtos agrícolas dos EUA também possivelmente não mudará as rigorosas exigências de Washington para concessões da China em propriedade intelectual. "Não tenho certeza se há algum ponto para a China comprar mais do que o necessário", disse Darin Friedrichs, analista sênior de commodities da Ásia na INTL FCStone, em um relatório por e-mail.

Trump disse após a reunião do G-20 que adiaria indefinidamente as tarifas planejadas para um adicional de US$ 300 bilhões em importações chinesas, enquanto permite que empresas norte-americanas continuem a fazer negócios com a Huawei, uma das empresas mais proeminentes do país. Ainda assim, a Casa Branca ainda precisa revelar detalhes do acordo de Trump com Xi, deixando incertezas sobre como os dois países continuarão.

Tradução: Fernanda Custódio

Fonte: Bloomberg

Publicado por Fernanda Custódio

Formada em Comunicação Social pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Trabalha há mais de 6 anos com produção de conteúdos jornalísticos para o agronegócio.

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