O inverno chegou. Onde estão os alimentos para as nossas vacas leiteiras?

Marco Aurélio Factori*

Olá pessoal. Como de costume, vamos imaginar uma cena? Pois bem. Todos reunidos na casa do seu Zé. Muita alegria, cadeiras, ar-condicionado, mesa posta e som ambiente. Muita gente feliz e descontraída. Em certo momento alguém pergunta: e a comida, onde está seu Zé? Imaginem a cara do seu Zé? Sabe por quê? Ele se esqueceu da comida.

Parece engraçado, mas é muito triste. Logicamente que ninguém se esquece de comprar a comida para o churrasco, alguma coisa pode até faltar, mas o básico sempre estará lá. O básico, como de costume é uma carne assada, seja linguiça, carne de boi, suíno ou frango. Uma cerveja gelada também. Um suco. Um refrigerante. A base sempre aparece não é verdade? E para as vacas, será que estamos fazendo o básico na hora da seca?

Nos sistemas de pastejo rotacionado, preconiza-se na pastagem a rotação de piquetes em função do período de descanso do capim bem como, dias de ocupação e, por último, ajuste de lotação. Mas, se há inverno, há falta de condições para o crescimento, sobretudo luz e temperatura, que limitam o crescimento forrageiro. Neste sentido, se não há comida para os animais, têm-se que suprir esta falta. Desta forma, se não temos capim no pasto, teremos que suplementar no cocho.

Suplementar no cocho nem sempre é uma situação fácil em função, principalmente, dos altos custos da alimentação. Você sabe porque é caro suplementar uma vaca no cocho no inverno quando ela come pasto no verão? Muitas pessoas não pensam nisso, mas, é neste período que os animais devem ser servidos, ao contrário do sistema de pastejo de verão em que os animais se servem sozinhos, além dos custos extras com o próprio alimento a ser feito.

Outro aspecto muito interessante quando comentamos sobre alimento, é que se deixarmos para produzir o alimento na seca, logicamente isso não será possível, pois as condições tornam-se desfavoráveis. Sim, é possível comprar, porém, ao comprarmos o alimento quando precisamos imediatamente deles, com certeza pagaremos mais caro. A explicação é simples: lei da oferta e da procura. Todos procurarão o produto ao mesmo tempo e por isso o preço se elevará e o sistema se complicará.

Nos dias de hoje, com toda a tecnologia disponível a nós, há muitas formas de contornarmos a estacionalidade de produção de forragem. O mais simples que pode ser feito é reunir todas as informações possíveis para contornar o problema. Um simples ato seria estudar o histórico da área que iremos trabalhar e, também, o histórico de chuvas. Nos dias de hoje não precisamos mais depender do acaso. Hoje em função das tecnologias pode-se antecipar a resolução de problemas e responder: será que vai chover? Será que vai acontecer isso ou aquilo?

São inúmeras as formas de contornar a estacionalidade de produção e por isso, ela não pode ser esquecida. Não há desculpas. Sendo assim, silagem, cana com ureia e até mesmo o feno podem ser utilizados no sistema. Repito, não há desculpa para não fazer. Um colega disse um dia: “se tratarmos das vacas elas ‘dão’ leite mesmo, mas fica caro!” Senhores, quem disse que não é para tratar do animal? Nós não tratamos da roça de milho? Do nosso carro? Da nossa casa? E porque não fazemos isso com nossas vacas?

 

Voltando a história do churrasco, o seu Zé fez uma surpresa para os amigos escondendo a carne e cerveja dos amigos. Depois disso, eles festejaram o dia todo no churrasco. Então, vamos fazer isso com nossas vacas? Vamos surpreender nossos animais com comida de verdade?

Para terminar, o alimento do ano que vem das nossas vacas não deve ser feito o ano que vem e sim AGORA. Vovó falava: "gente que se alimenta bem não fica doente. Vaca que come bem sempre produz mais".

Para tanto, planejar e mensurar o que nossos animais precisam é de fundamental importância para produzirmos. Chega de achismos, acho isso ou acho aquilo. Chega de não vai ter inverno. Chega de achar que vai cair do céu o alimento para o gado. Do céu cai a chuva que molha os campos, que juntamente com a fertilidade do solo e as mãos do homem, produzem o alimento para o animal. As vacas não podem esperar. Mãos à obra.

 

Fonte: MilkPoint

Redação Destaque Rural
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