Mercado Climático: Entenda a Importância e Influência que exerce no Agro

Por Andrea Cordeiro, da Labhoro Corretora

Nem sempre o que parece óbvio é óbvio e você vai entender aonde quero chegar lá no finalzinho desse texto.

Quem trabalha com mercado agrícola seja dentro ou fora da porteira, conhece bem o que essas palavrinhas significam e o turbilhão de emoções elas representam.

Para produtores, muitas vezes o mercado climático representa nervosismo, estresse, prejuízo e até catástrofe. Além de serem prejudicados pelos efeitos climáticos (excesso de chuva, falta de chuva, granizo, tornados) por vezes não conseguem compensar suas perdas com a variação de preços processadas no mercado futuro na bolsa de mercadorias.  

E aqui no Brasil já vimos muito essa situação acontecer: Estiagens/veranicos prolongados e os preços em Chicago pouco influenciados. Ou um atraso de colheita por chuvas não impactar em valorização. Lembra de quantas vezes já nos perguntarmos: Por que os preços não reagem?

Para investidores, o mercado climático representa oportunidade. Chance de fazer dinheiro e fazer rodar a ciranda financeira. Afinal fundos de investimentos não são entidades filantrópicas ou ONG’s. Ainda vivemos em um mundo capitalista, não é mesmo?

Em anos de adversidade climática, como o que presenciamos nessa temporada, haja coração para acompanhar sem qualquer arritmia a volatilidade que os mapas climáticos desencadeiam.

É garantia certeira de fortes emoções! (((Emoções, aqui um pouco influenciada pelo Show do Roberto Carlos do último sábado)))

Tendo feita essa introdução, destaco que o momento atual, de atrasos no plantio de milho e de soja, traz à cena um produtor que acumula sintomas fortes do estresse gerado pela demorada Guerra Comercial e se vê impedido de fazer plantar toda a área destinada à sua cultura de preferência, o milho!

Sofre com baixa comercialização, altos estoques, custos extras de armazenagem, custo com semente para replantio – sim terá muito a ser replantado, troca de uma linha inteira de produto para substituir áreas de milho para soja e esse produtor ainda se vê cravado em meio a incerteza de poder replantar ou plantar soja.

Além da guerra comercial, o momento apresenta uma ferramenta extra que confere ainda mais volatilidade aos preços que é o fato de os fundos de investimento estarem vendidos na soja.

A soja que não acompanha, na mesma proporção, as altas do milho, segue atrelada a falta de demanda por parte da China, o que confere tom baixista aos preços em Chicago.

Em paralelo os preços estão atrelados ao direcionamento dos fundos que seguem vendidos em aproximadamente 65 mil contratos. Os fundos apostam em áreas de milho migrando para soja.

E aí voltamos ao ponto. O que parece óbvio, não é!

Fundos buscam por dinheiro e não são burros. Não ganham em todas as posições sempre. Ganham na média de suas estratégias. Perdem dinheiro aqui, mas ganham dinheiro lá.  Várias vezes realizam prejuízos em um ou outro ativo.

O diferencial é que eles são rápido na tomada de decisão. Eles defenderão suas posições, mas não insistirão se não tiverem a convicção que ganharão dinheiro com ela.

Foi o que aconteceu recentemente com o milho.

Os fundos carregavam posições excessivamente vendidas em Chicago.  Por vota de 17 de abril carregavam em carteira quase 300 mil contratos vendidos e à medida que perceberam as dificuldades tentaram proteger seus investimentos, relutando em deixar os preços subirem, mas quando se sentiram ameaçados liquidaram posições mesmo que com prejuízo e saíram de uma posição vendida para comprada. Estima-se que os mesmos fundos hoje contabilizam uma carteira com 160 mil contratos comprados.

No final da tarde de hoje, o USDA – Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, divulgará o percentual de milho plantado e com isso se saberemos a quantidade de milho que deixou de ser plantada e que possivelmente seja destinada à soja.

Salvo se, como em um milagre, China e EUA anunciem um acordo comercial relâmpago, a partir de agora, o caminho para os preços da soja em Chicago será clima.

Destaco que os mapas climáticos atualizam pelo menos 3 vezes durante o dia e que existem modelos diferentes, com leituras diferentes. Então coleguinhas, sugiro mantermos nossos cintos afivelados e remédio da pressão em dia por que nesses anos que estou na ativa já vi os preços fazendo inversões incríveis por conta disso.

Leia mais informações no Blog Missão Mulheres do Agro

Redação Destaque Rural
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