Sociedades Empresariais Familiares “O começo do fim dos problemas”

“Pai rico, filho nobre, neto pobre”. Alguns fatores fazem com que essa seja uma realidade em parte significativa das sociedades familiares brasileiras. E não é por acaso que isso ocorre. Neste breve artigo, abordamos os principais motivos que definem esse problema e algumas ferramentas para proteção e continuidade destas sociedades. 

Um estudo realizado pelo Williams Group revelou que 60% dos fracassos das empresas familiares se dão pelo rompimento da comunicação e pela perda da confiança entre os sócios, o que agrava situações problemáticas e gera inúmeros outros conflitos. Então, como evitar esse destino?  

Inevitavelmente, a vontade dos membros da família de perpetuar o negócio é o ponto de partida para o sucesso. O alicerce é o estabelecimento de um conjunto de regras para prevenção e solução de conflitos, conduzindo para uma nova perspectiva de êxito, estabilidade e longevidade da sua empresa.  

Postura paternalista e autoritária, laços afetivos muito fortes, interferência nos comportamentos, posicionamentos e decisões, exigência de dedicação, grande expectativa de fidelidade, dificuldades em fazer com que a razão supere a emoção. Essas são características típicas das empresas familiares e podem tornar-se problemas insanáveis e nocivos ao futuro do negócio, sobretudo quando aliadas à ausência de um padrão de comunicação entre os sócios. Esse contexto põe à prova a capacidade dos empresários de gerenciar as relações família-negócio-patrimônio.  

A percepção e a gestão dos conflitos, que colocam em risco a sociedade, também são importantes para a adaptação e a continuidade da empresa familiar, pois possibilitam o incentivo à criatividade, à reflexão, ao trabalho em equipe, à vontade de mudança e ao estabelecimento de metas ambiciosas e alcançáveis, permitindo o amadurecimento e crescimento do negócio em si, dando êxito às suas atividades. No entanto, como gerenciar esses conflitos? 

A resposta para esse questionamento é a comunicação, que deve ser feita de forma efetiva, com clareza e eficiência. Cabe frisar que a responsabilidade de uma comunicação eficiente é sempre do emissor, uma vez que é seu dever fazer com que a mensagem seja entendida. Isso está diretamente relacionado à postura dos sócios gestores e se aplica à execução de atos como prestação de contas, em que a transparência e a clareza na comunicação são extremamente importantes à compreensão de todos os sócios. 

Para que isso gere efeitos positivos, os familiares devem realizar reuniões formais e periódicas para tratar dos assuntos de interesse da empresa, evitando abordar esses temas nos momentos de lazer da família. Sendo assim, é primordial que os sócios se apoiem em fatos e não em opiniões, devendo, inclusive, tratar dos temas tabus, compreender e ter empatia com o que o outro está pensando e sentindo. É fundamental estar sempre questionando, criando, assim, uma linguagem em comum.  

Nesse sentido, as empresas devem ter a sua estrutura de reuniões voltada para a discussão de temas relacionados ao seu funcionamento, com pauta, horário e local predefinidos. Também, têm de contar com uma previsão consolidada para a resolução de conflitos e demais situações advindas de posições divergentes entre os sócios (por exemplo, sobre a determinação de um quórum para votação e definição). Ainda, reuniões anuais de fechamento devem ser realizadas, para que haja transferência das informações a todos os interessados, sempre com precisão e transparência.  

Além disso, a comunicação é essencial quando envolve terceiros, como noras e genros, uma vez que, ao entrar para a família, estes trazem consigo uma série de novos costumes e valores, sendo necessária uma preparação para que sejam compreendidos o funcionamento e as escolhas da família, sempre com o foco na comunicação entre as partes. Esse tema, quando tratado de forma adequada, leva ao aperfeiçoamento do ambiente familiar e traz novas ideias e atitudes. 

Dessa maneira, é necessário existir uma comunicação clara e em todos os níveis, que alcance também os agregados. Assim, é possível apresentar todo o projeto que diz respeito aos direitos destes, o que pode ser feito através de uma reunião geral para apresentar a cultura da família. No entanto, isso não quer dizer que haverá, necessariamente, a sua participação no negócio da família.  

Por se tratar de um processo de amadurecimento da empresa, é imprescindível essa preparação, não apenas dos sócios, mas também de todos os que compõem a estrutura familiar. Tanto o administrador quanto os demais membros que não participam do negócio devem estar preparados para as reuniões. O gestor deve apresentar os números do negócio de forma clara, transparente e explicativa, sendo que os demais devem estar aptos a, no mínimo, entender e discutir o exposto. 

Para que isso ocorra de uma forma segura e eficaz, é necessária a busca de profissionais de confiança, especializados e consolidados no mercado, para que um trabalho em conjunto renda bons frutos. Assim, aquilo que parecia ser o fim da sociedade familiar pode ganhar novas perspectivas, com o início do fim dos problemas. Nesse sentido, a Safras & Cifras caminha ao lado dos seus clientes, unindo esforços em um trabalho que busca atingir resultados relevantes na organização, no aprimoramento e na solidificação das empresas familiares que compõem, hoje, o braço forte que move e sustenta o país: o agronegócio.

 Fonte: SAFRAS & CIFRAS

 

Bernardo de Lima Kiefer 

Graduado em Administração

bernardo@safrasecifras.com.br

 

Carlus Fonseca Boemeke

Graduado em Direito

carlus@safrasecifras.com.br

 

Manuela Sallis Nunes

Graduada em Direito

manuela@safrasecifras.com.br

Enviando