Clima adverso nos EUA pode provocar nova redução nos índices de produção

Condição climática nos EUA com nuances negativas para as lavouras

A semana será marcado por pouca chuva sobre grande parte das regiões produtoras do meio oeste americano. “Há previsões de chuvas bastante irregulares e de baixa intensidade, os grandes volumes de chuvas serão registrados apenas sobre o extremo sul dos Estados Unidos”, informa o agrometereologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

Só há previsões de chuvas para o meio oeste americano na virada do mês, até lá o tempo seguirá com chuvas irregulares, com chuvas um pouco mais expressivas na porção leste e temperaturas máximas bem acima da média, ou seja, condições nada favoráveis ao pleno desenvolvimento das lavouras de soja, milho e algodão.

“Isso manterá uma ou outra região em excelentes condições e índice de produtividade muito bom ou até excelente, porém várias regiões tanto do meio oeste americano, quanto do sul e leste, poderão de sofrer com essas irregularidades, ou seja, não é um clima excepcional para os Estados Unidos ao longo desses próximos 15 dias, mas também não é uma condição péssima como a gente já vem frisado desde o início da safra”, explica o especialista.

Ao longo das próximas quatro semanas poderemos ter redução nos percentuais de lavouras em boas e más condições. “Essa falta de chuvas regulares, e principalmente em bons volumes nas principais áreas produtoras de soja e milho dos Estados Unidos (EUA), poderá trazer novas reduções dos índices ou nos percentuais das lavouras boas a excelentes, aumentando o percentual de lavouras em condições normais ou até mesmo já ruins”, ressalta Santos.

O que pode ocasionar uma redução um pouco mais significativa dos índices de umidade do solo, e então trazer problemas para essa fase de enchimento do grão. “As produtividades deverão atingir patamares médios, ou seja, dentro de uma normalidade para produção norte-americana, mas é fato que esse clima de chuvas mais irregulares e temperaturas um pouco mais elevadas poderá sim trazer alguns impactos negativos a produtividade, principalmente no meio oeste americano”, frisa.

Dessa maneira, as condições das lavouras não são tão animadoras para soja e milho nos EUA. “A ausência de chuvas regulares em toda a metade oeste dos Estados Unidos, principalmente nas Dakotas do Norte e Sul, Nebraska, Kansas, Colorado, no oeste de Iowa e Missouri, mantém as condições das lavouras ainda em condições relativamente boas, porque não é uma ausência total de chuvas, mas são chuvas muito irregulares, deixando algumas regiões sob forte estresse hídrico”, salienta Santos.

O excesso de chuvas sobre o sul e leste dos Estados Unidos também poderá trazer alguns impactos negativos nessa fase de enchimento de grãos da soja e milho, e até mesmo no desenvolvimento de lavouras de algodão ao sul dos Estados Unidos. “Terá chuvas um pouco mais expressivas sobre boa parte das regiões produtoras de Wisconsin, Illinois, Indiana, Kentucky, Tennessee, Ohio e também na região das Carolinas”, informa.

“Ai é que talvez esteja o grande problema, se de um lado (oeste) as chuvas estão extremamente irregulares, na porção leste o excesso de dias nublados poderá manter em cheque os índices de produtividade. Pois, sabemos muito bem, que o excesso de dias nublados pode ser igual ou até mais prejudicial do que uma própria estiagem, porque isso impossibilita o pleno enchimento de grão das lavouras, e sabemos que a soja e o milho começam a entrar nas fases cruciais para o clima, ou seja, florescimento e enchimento de grãos”, explica Santos.

“Mas volto a frisar, esse excesso de dias nublados, ou seja, de baixa radiação solar na porção leste, só iremos de fato ver os prejuízos disso, mais próximo da colheita que deverá ocorrer em setembro e outubro”, finaliza.

 

 

Texto Larissa Schäfer

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

Enviando