Pecuária

Tecnologias de manejo de dejetos são apresentadas a suinocultores

20/07/2021
Tecnologias de manejo de dejetos são apresentadas a suinocultores

Fonte: Emater / Foto: Matheus Basso

Tecnologias de manejo de dejetos são apresentadas a suinocultores

Suinocultores de Liberato Salzano participaram na semana passada de uma reunião para conhecer mais sobre tecnologias para manejo de dejetos suínos. O encontro, promovido pela Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), foi realizada na Câmara de Vereadores. Essa ação faz parte de um trabalho que vem sendo realizado no município para incentivo à suinocultura.

Até dois anos atrás, Liberato Salzano não possuía a atividade da suinocultura comercial. Hoje, o município conta com 35 pocilgas entre terminação e creches. "Esse avanço traz consigo um desafio importante, que é o de destinar corretamente os dejetos suínos, de uma forma ambientalmente adequada e economicamente viável aos produtores. Essa era uma preocupação dos suinocultores, técnicos e do setor público municipal, por isso, esse encontro foi proposto", comentou o extensionista rural da Emater/RS-Ascar e coordenador regional de manejo de recursos naturais, Carlos Roberto Olczevski.

Na ocasião, uma empresa da região, que comercializa sistemas de irrigação, apresentou aos suinocultores os diferentes sistemas de fertirrigação existentes no mercado, aspersão fixa, móvel, carretel autopropelido e pivô central, sistemas que permitem a fertirrigação e a irrigação de grãos e forrageiras. "A fertirrigação utilizando dejetos líquidos dos suínos ou bovinos foi comparada com a maneira tradicional usada atualmente, que são os tanques de distribuição e as estrumeiras tracionadas a trator ou caminhão. No cálculo comparativo entre estes dois sistemas de distribuição de dejetos líquidos, ficou clara a vantagem do uso de sistemas de fertirrigação. Apesar do sistema de fertirrigação ter o valor de investimento maior, o cálculo de custo de operação destes sistemas apresenta maiores vantagens com o sistema de fertirrigação", afirmou Olczevski.

Segundo ele, os sistemas de fertirrigação podem ser utilizados para distribuir dejetos líquidos e também irrigar. O sistema de fertirrigação tem como vantagem o custo operacional de 15 vezes menor, comparado com o custo de secar uma esterqueira com tanque. "Pegando como exemplo uma pocilga de terminação com 1,3 mil suínos e produção de 1.248 m³ de dejetos/lote (média de oito litros/dejeto/dia), com ciclo de lotação de 120 dias, utilizando energia elétrica trifásica para tocar a bomba, o custo operacional é sete vezes menor. Somente por essa vantagem, se contabilizarmos dez anos de uso, o sistema se pagaria, além de ter outra vantagem, como a menor mão de obra despendida, em relação ao uso do tanque para distribuição dos dejetos de suínos, diminuição da compactação do solo pelo não trafego dos veículos nas áreas de lavoura e, principalmente, a fertirrigação, que permite maior uniformidade na distribuição dos dejetos líquidos", completou o extensionista da Emater/RS-Ascar.

Outro ponto tratado na reunião com os suinocultores de Liberato Salzano foi o uso de biomodulador nas esterqueiras, um produto à base de bactérias decompositoras da parte sólida dos dejetos de suínos, bovinos ou aves. Esta nova tecnologia biológica acelera a decomposição dos dejetos animais, não é tóxico, mineraliza e disponibiliza os nutrientes minerais presentes na matéria orgânica de maneira mais rápida (45 dias, aproximadamente). "Segundo foi apresentado na reunião, este produto facilita a utilização dos dejetos para adubação de cultivos agrícolas e diminui o efeito negativo ao meio ambiente de fermentar no solo aplicado. Este produto também diminui a liberação do gás sulfídrico e da amônia no ar do ambiente, que provocam o cheiro forte dos dejetos de suínos e a intoxicação de animais. Com o uso do biomodulador não há acúmulo de sólidos no fundo das esterqueiras, permitindo ocupar melhor sua capacidade de armazenagem", destacou Olczevski.

De acordo com o extensionista da Emater/RS-Ascar, estas duas tecnologias, apresentadas na reunião, são complementares, pois, o sistema de fertirrigação facilita a distribuição dos dejetos líquidos nas lavouras, além da possibilidade de irrigação, e o biomodulador disponibiliza os dejetos animais com os nutrientes minerais prontos para serem absorvidos pelas plantas, tanto via solo quanto via foliar, diminuindo a produção de gases prejudiciais aos animais e o seu característico mau cheiro. "São tecnologias promissoras que estão à disposição dos produtores", finalizou Carlos.

Fonte: Emater/RS

Matheus Basso
Publicado por Matheus Basso

Estagiário de Jornalismo

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