Quais os sinais e expectativas da recuperação econômica no Brasil?

Professor de finanças do Mackenzie aponta que mesmo com a recuperação da atividade econômica, o país ainda apresenta índices preocupantes de desigualdade social e desvalorização do real

Nas últimas semanas, o ministro da economia, Paulo Guedes, declarou o início de propostas visando reformas de livre mercado a fim de recuperar os impactos da pandemia no Brasil. Um dos principais pontos do projeto é a Reforma da Previdência, que foi aprovada e economizará R?1 trilhão em dez anos.

Entretanto, como especialistas e pesquisas indicam, o país já apresenta índices negativos com relação à renda e emprego das classes mais pobres, além do aumento da tarifa elétrica, dentre outros pontos como explica o professor de Finanças da Universidade Presbiteriana Mackenzie (UPM) em Alphaville, Maurício Takahashi. "A demanda de energia elétrica está mais alta do que o nível anterior ao surto e apresentam tendência de alta desde meados de maio. O número de inscritos no seguro-desemprego é basicamente igual ao de fim de maio de 2019".

Vale ressaltar que mesmo com o crescimento de 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil em relação ao último trimestre de 2020, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o desemprego aumentou de 13,9% para 14,7% em março deste ano. Portanto, os sinais de recuperação da economia brasileira estão interligados ao comércio exterior e não são significativos para solucionar os problemas relacionados à pobreza.

Há três semanas, um estudo divulgado pela Tendências Consultoria com base em dados do IBGE, Ministério da Economia e Ministério da Cidadania, revelou que a recuperação econômica beneficiará apenas classes mais altas, já cerca de 1,2 milhões de famílias serão classificadas como classes D e E, visto que, há uma maior taxa de pessoas com menor grau de escolaridade, principalmente daquelas que viviam do trabalho informal.

O estudo aponta ainda que a sobrevivência de muitas destas famílias se dá pelo Auxílio Emergencial, que apesar do baixo valor, evitará uma queda maior na renda dos brasileiros, também afetada pelo reajuste no salário mínimo com uma taxa abaixo da inflação.

Como relatado pela consultoria, os grupos considerados mais favorecidos no projeto de recuperação econômica serão os servidores públicos, já que as oscilações na crise não interferem em seus salários. Quanto aos comerciantes, estes buscarão recuperar o lucro anterior à pandemia, para assim, reajustar o salário dos empregados, além de recontratar.

Segundo o professor de Finanças, outro fator chama a atenção no plano de recuperação: "As condições financeiras ainda apresentam volatilidade. A moeda apresentou desvalorização e as taxas de juros de cinco anos subiram", afirma. De fato, segundo o levantamento da agência Austin Rating, o real é a 7ª moeda que mais se desvalorizou em 2021, ficando atrás apenas de países como, Sudão, Líbia, Venezuela e Haiti.

 

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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