Inflação acumula taxa de 2,05% somente no primeiro trimestre do ano

O Boletim Econômico produzido pelo Núcleo de Estudos da Conjuntura Econômica (NECON) da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (FECAP), analisou dados da inflação no Brasil no 1º trimestre de 2021. O IPCA acumula taxa de 2,05% somente no primeiro trimestre do ano.

O NECON FECAP é um grupo formado por professores e alunos da Faculdade de Economia da FECAP, além de interessados, e pretende analisar indicadores de conjuntura e cenários da economia atual. O objetivo missão é criar um ambiente permanente e rico de reflexão e análise acerca da conjuntura econômica nacional, além de produzir relatórios que auxiliem investidores, empresários, gestores públicos e pesquisadores na tomada de decisão.

O trabalho foi realizado por Christian Rodrigues, Gabriella Batalha e Thamires dos Santos.

Confira o Boletim completo clicando aqui: https://www.fecap.br/wp-content/uploads/2021/06/Boletim-Economico-1TRI-1.pdf

INFLAÇÃO
O último resultado mensal, do IPCA, do primeiro trimestre de 2021, apresentou uma variação mensal, em relação ao mês anterior, de 0,93%. Diante disso, entre jan-mar de 2021, o índice acumula uma taxa de 2,05% ao ano, influenciado, principalmente, pela alta nos combustíveis, que foi de 11,23%. É válido ressaltar que o atual patamar de inflação acumulada, representa uma das maiores taxas para o período nos últimos anos. A meta estipulada pelo Banco Central do Brasil, atualmente, é de 3,75% ao ano, com limites inferiores e superiores de 2,25% a 5,25%, respectivamente.

O Índice de Preços ao Consumidor, IPC, é o indicador que mede a variação de preços de bens e serviços que compõem as despesas comuns de famílias com renda de 1 a 10 salários mínimos mensais. A variação da cesta básica média no trimestre foi baixa, cerca de +0,38 centavos, influenciado pela desaceleração nos alimentos, apesar do aumento no setor de transportes que subiu de 0,92%, em janeiro, para 3,26%, em março de 2021.

O fim do Auxílio Emergencial no final do ano passado ainda impacta nos resultados do primeiro trimestre de 2021. Muitas famílias de baixa renda ainda sentem os reflexos na alta dos preços de 2020. Com o retorno do Auxílio Emergencial em abril, com valores que variam de R$150 a R$375, esse impacto nas famílias deve ser menor durante os meses de pagamento.
O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) é o indicador usado para correção monetária dos aluguéis e é divulgada pela Fundação Getúlio Vargas. Seu resultado se baseia em outros três indicadores: Índice de Preços ao Produtos Amplo (IPA), Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). Em janeiro, o índice subiu 2,58%, puxado principalmente pelo aumento do preço das commodities e dos combustíveis, o que impulsionou a alta do IPA. A variação mais notável foi a do minério de ferro (4,34% para 22,87%). Os meses de fevereiro e março acompanharam o ritmo de alta, de 2,53% e 2,94%, respectivamente, acumulando alta de 8,26% no primeiro trimestre de 2021, e 31,10% em 12 meses. No gráfico abaixo, vemos o notável aumento do IPA, que foi o indicador com maior influência sobre o IGP-M. Apesar do recuo em dezembro de 2020, o IGP-M apresentou crescente aumento no primeiro trimestre de 2021:
Por fim, o indicador usado com a intenção de corrigir o poder de compra dos salários, calculando o impacto inflacionário nas famílias de baixa renda, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor - INPC, apresentou uma taxa de 1,96% acumulado no primeiro trimestre de 2021 e 6,94%, em 12 meses.

É importante lembrarmos que a inflação é derivada de muitos fatores, entre elas o câmbio. A atual depreciação cambial (a ser tratada no capítulo seguinte) afeta o aumento dos custos de matéria-prima e incentiva a comercialização de nossos produtos no exterior, podendo gerar escassez no mercado interno, o que provoca uma pressão inflacionária por oferta. No ano passado, foi possível observar o "efeito das commodities na inflação", por exemplo, o óleo de soja apresentou alta de 103,79%, no acumulado do ano, um reflexo da demanda internacional e como o real estava desvalorizado, as operações do grão também ficaram mais caras, fazendo com que o produtor repassasse o custo para os produtos finais, como o óleo de cozinha.

Veremos também, no texto da Balança Comercial, que o aumento de exportações foi influenciado pela recuperação econômica dos EUA e da China, que aumentaram o consumo, e consequentemente, pressionaram os preços do setor agrícola e de minérios, em nosso mercado, conforme as limitações de oferta.
Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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