Massa de ar polar se espalha sobre o Brasil na segunda (10), alerta Santos

O fim de semana será de tempo aberto, sem previsão de chuvas generalizadas nos próximos cinco dias. “As chuvas devem ficar mais concentradas na faixa litorânea, atrapalhando os embarques de açúcar no porto de Santos e Paranaguá, enquanto não deve chover no restante do Brasil nas áreas que realmente precisam de chuvas”, informa o agrometereologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

A partir de segunda-feira (10) uma nova massa de ar frio de origem polar se espalha sobre o Brasil. “Depois de um final de semana com tempo aberto, já na segunda-feira, uma nova frente fria avança e organiza melhor as chuvas no Rio Grande do Sul. Esse sistema pode trazer chuvas mais generalizada sobre Rio Grande do Sul, Santa Catarina”, explica.

“No Paraná, essa frente pode trazer chuvas durante o próximo fim de semana. Há previsões de que, de quarta (12) para quinta-feira (13), venha ocorrer algumas chuvas no Paraná. Na sexta-feira (14) volta a chover no Paraná, Paraguai, no Mato Grosso do Sul, em São Paulo e algumas áreas de Minas Gerais, o que pode favorecer muito, caso realmente ocorram, as áreas de cana-de-açúcar e café. E depois o tempo fica extremamente aberto”, acrescenta Santos.

A região 1+2 continua fria, o que limita a amplitude da frente fria. “Essa região 1+2 não quer se esquentar, ela está numa fase extremamente negativa, entre -0,5 e -1ºC, o que tira completamente a amplitude de qualquer frente fria, pois não consegue avançar. Dessa forma, os corredores de umidade ficam voltados ao sul, o que é normal para esta época do ano, no entanto, para que trouxesse chuvas essa região 1+2 deveria estar quente, apesar de que toda faixa litorânea, desde o sudeste até Argentina, está quente. Então caso a região 1+2 volte a se aquecer nas próximas semanas, voltaria a chover bem, mas já é tarde demais para o milho safrinha, pois a quebra já está consolidado”, ressalta o agrometereologista.

Milho

De uma forma geral, os parâmetros meteorológicos não sinalizam chuvas. “Às condições climáticas continuam praticamente as mesmas que a gente tem comentando desde segunda-feira (3), uma massa de ar polar avançou sobre o estado gaúcho, a frente fria passou provocou chuvas sobre grande parte do Rio Grande do Sul e Santa Catarina nos últimos três dias. Algumas chuvas no extremo sul do Paraná, mas nada que trouxesse grandes consequências”, salienta Santos.

“São pouquíssimas chuvas sobre a região central. Então, as condições do milho pioram a cada dia que passa e as expectativas são cada vez mais baixas para a cultura, saímos de 84 milhões/t para 72 milhões/t, e ainda não há previsões de muita chuva para frente. Eu não me espantaria se a gente tiver que abaixar ainda mais esse valor próximo aos 70 milhões/t, porém, não menos que isso; para baixar mais teria que acontecer uma geada, tanto no mês de maio quanto no começo de junho”, complementa.  

De acordo com Santos, os preços altos e as áreas de milho abandonadas no Paraná, no Mato Grosso do Sul, São Paulo são fatos inéditos para essa época do ano. “Já é uma quebra considerável, estamos falando de no mínimo de 12 a 14 milhões a menos de milho no Brasil, esse ano isso vai fazer uma baita diferença só ver os preços, preços estes nunca vistos para essa época do ano”, finaliza o agrometereologista.  

 

Texto: Larissa Schäfer.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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