Tempo seco e frio, sem previsões de chuvas ao longo dessa semana

As condições climáticas preveem pouquíssima chuvas nas próximas semanas. “As notícias, infelizmente, não são nada animadoras, principalmente para as culturas da região da metade sul do Brasil, isso porque, a frente fria que avançou nesse final de semana foi extremamente fraca, sem grandes abrangências, não houve registros de chuvas em grande parte das regiões produtoras do Mato Grosso do Sul, da metade sul do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, informa o agrometereologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

Algumas localidades tiveram registro de chuvas fracas e pontuais. “Até mesmo no Paraguai não houveram registros de chuvas. A frente que estava sendo prevista perdeu totalmente a força em 24 horas, e deixou uma condição extremamente desfavorável ao desenvolvimento das lavouras de milho safrinha, cana-de-açúcar, café, entre outras culturas até mesmo de inverno que já estavam sendo semeadas”, explica o especialista.

De acordo com Santos, a massa de ar polar continua avançando sobre o Sul do Brasil, mantendo o tempo seco e sem previsões de chuvas ao longo dessa semana em grande parte das regiões produtoras do Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraguai.

Temperatura

Há previsões de quedas mais acentuadas nas temperaturas. “Nada que venha trazer perigo, ou risco de uma forma geral, para as áreas produtoras. Será frio, madrugadas frias, tempo aberto durante o dia, sem previsões de chuvas, mas sem risco de formação de geada, ou qualquer outro risco, que possa agravar ainda mais as condições das lavouras”, salienta Santos.

“A tendência agora é de chuvas só na faixa norte do Brasil, pegando norte do Mato Grosso, norte de Goiás, todas as áreas do Matopiba, mas de uma forma geral, essas chuvas ainda serão um pouco mais irregulares e no máximo até a quarta-feira (28). Daqui para frente há uma tendência de poucas chuvas para toda essa metade sul do Brasil, não há mais previsões chuvas generalizadas até pelo menos meados do maio, ou seja, teremos mais três semanas de tempo mais firme e com possibilidades eventuais, vou deixar muito bem frisado, de chuvas no Brasil. Ou seja, daqui para frente iremos começar a ver pouquíssimas chuvas, temperaturas mínimas um pouco mais baixas e os dias com temperaturas um pouco mais elevadas, por conta de não haver presenças de frentes frias, ou seja, grande amplitude térmica. Mínimas um pouco mais brandas e máximas dentro da normalidade, dependendo da região variando entre 26ºC a 27ºC até seus 33ºC a 34ºC”, frisa o agrometereologista.

"O Oceano Pacífico entrou de novo no processo de resfriamento e não tá com cara de se aquecer muito rápido agora nessas próximas semanas, se aquecer será mais para a primeira de maio, o que levaria as chuvas, caso isso venha a ocorrer, após o dia 20 de maio, e até lá as condições ainda são bastante complicadas para o desenvolvimento das lavouras", alerta.

Milho

A falta de chuvas continua prejudicando as lavouras. “No caso do milho safrinha a condição é drástica nesse momento, porque tem áreas que estão a mais de 30 dias sem registro de chuvas, ou até mesmo algumas áreas que foram semeadas lá em meados de março e até agora não receberam nenhum volume de chuva nas áreas semeadas. Com isso, se compromete muito a produção nacional de milho safrinha, até porque, ao longo dessa semana, não há mais previsões de chuvas sobre a metade sul do Brasil”, ressalta Santos

“Vendo as chuvas ocorridas ao longo deste final de semana e o que os modelos climáticos estão prevendo para frente, nós aqui da Rural Clima não apostamos numa safra maior do que 75 milhões para milho safrinha”, alerta o agrometereologista.

Café e cana-de-açúcar

A falta de chuvas mais generalizadas também pode impactar a próxima safra. “Uma condição bem ruim também para cana-de-açúcar porque não teve chuvas gerais, não há previsões de chuvas e isso pode comprometer um pouco o desenvolvimento dos canaviais que estão em fase de desenvolvimento para serem colhidos ao longo do segundo semestre de 2021. Para o café a grande quebra já ocorreu, mas é fato que os índices pluviométricos podem comprometer um pouco o desenvolvimento das lavouras para a Safra 2022”, finaliza Santos.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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