Queda nos preços do suíno vivo e da carne em março

O mês de março foi marcado por . Na ponta final, a demanda pela proteína suína esteve fraca, especialmente devido a medidas de isolamento para conter o avanço da pandemia da covid-19, que diminuiu a liquidez e fez com que indústrias limitassem as aquisições de novos lotes de animais para abate.

No mercado atacadista de carne da Grande São Paulo, as restrições de funcionamento do comércio, além de terem reduzido a demanda por parte de restaurantes e de serviços de alimentação, enfraqueceram também o consumo das famílias, à medida que prejudicaram a renda e o poder de compra da população.

Na região da Grande São Paulo, a carcaça especial suína teve preço médio de R$ 9,81/kg em março, recuo de 6,5% frente a fevereiro, mas ainda 7,6% maior que o valor observado em março de 2020, em termos reais (deflacionados pelo IPCA de mar/21).

Para os cortes comercializados no atacado no estado de São Paulo, a movimentação foi similar à da carcaça, com recuo no comparativo mensal, mas ainda superando o valor observado há um ano. A paleta desossada se desvalorizou 5% de fevereiro para março, indo a R$ 12,88/kg na média do último mês, mas ainda 3,7% acima da verificada em março de 2020, em termos reais.

Já no mercado de animal vivo, mesmo com as exportações atingindo volume recorde, a lentidão nas vendas domésticas dificultou o escoamento da produção independente de suínos, acarretando em quedas intensas nos preços, principalmente no Sudeste, onde a maior parte das negociações são voltadas ao consumo interno.

Na região SP-5 (Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba), o animal vivo se desvalorizou 8,5% de março a fevereiro, cotado a R$ 6,69/kg no último mês, sendo, ainda, 11% menor que a média de março de 2020, em temos reais (aqui os valores foram deflacionados pelo IGP-DI de março/21). Em Patos de Minas (MG), o animal teve média de R$ 6,58/kg em março, recuos de 9,5% na comparação mensal e de 11,6% no anual. Em Erechim (RS), o suíno foi negociado a R$ 6,79/kg na média de março, baixas de 6,3% no mês e de 3,6% no ano. No Sudoeste Paranaense, a média de março foi de R$ 6,59/kg, quedas de 8,1% frente à de fevereiro e de 11,8% em relação à de março de 2020.

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Carnes concorrentes

Influenciados pela baixa demanda no mercado doméstico, especialmente por conta das medidas de isolamento para diminuir o avanço da covid-19, os preços médios da carne suína caíram de fevereiro para março.

Já os valores das principais carnes concorrentes, bovina e avícola, registraram leve alta na mesma comparação.

Esse cenário elevou, novamente, a competitividade da proteína suína, já que resultou em aumento na diferença em relação à carcaça casada bovina e em redução no intervalo frente ao frango resfriado.

No atacado da Grande São Paulo, na média de março, a carcaça especial suína foi cotada a R$ 9,81/kg, 6,5% inferior à de fevereiro, em termos reais (valores médios deflacionados pelo IPCA de março/21).

Já a carcaça casada bovina teve média de 19,69 Reais/kg no mês, avanço de 0,9% frente a fevereiro. Com isso, o corte bovino ficou 9,88 Reais/kg mais caro que o suíno, ampliando a diferença em 9,7% em relação à observada em fevereiro. Foi, também, a maior diferença de preços entre essas carnes já registrada em toda a série do Cepea.

Para o frango inteiro resfriado, o preço médio subiu 2,3% de fevereiro para março, a R$ 6,06/kg. Com isso, a carcaça suína foi comercializa 3,75 Reais/kg acima do corte avícola na média de março, diferença 18% abaixo da observada em fevereiro e a menor desde junho de 2020.

Fonte: Cepea

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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