Panorama agroclimático de 12 a 17 de abril, por Marco Antônio dos Santos

São previstas poucas chuvas sobre a região centro-sul do Brasil. “As temperaturas estão em elevação, principalmente, as máximas, já que as mínimas em algumas regiões já estão um pouco mais amenas. Mas, as temperaturas máximas ainda se manterão extremamente altas, o que pode elevar as taxas de evapotranspiração e prejudicar um pouco o desenvolvimento das lavouras, em especial, as lavoras de segunda safra como o milho, algodão e feijão”, explica o agrometereologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

A segunda-feira (12) mantém o panorama climático da semana passada, com chuvas na forma de pancadas, muito pontuais e de fraca intensidade. “Há previsões de chuvas um pouco mais generalizadas sobre as regiões produtoras de Rondônia, na região oeste do Mato Grosso e no extremo oeste do Mato Grosso do Sul. No Paraná e no litoral de São Paulo, até podem vir a ocorrer algumas pancadas, mas como eu disse, serão chuvas bem pontuais, assim como, nas regiões produtoras do sul do Tocantins e norte de Goiás”, informa o especialista.

“Os corredores de umidade nesse início de semana encontram-se sobre o extremo norte do Brasil, em toda a faixa norte do Pará, Roraima, norte do Maranhão, norte do Piauí e interior do nordeste, uma vez que a zona de convergência intertropical ainda se mantém extremamente ativa”, complementa Santos.

Na terça-feira (13) o clima se mantém parecido. “Algumas áreas de instabilidades poderão provocar pancadas de chuvas, ainda pontuais e de fraca intensidade, sobre a metade sul do Mato Grosso do Sul, norte do Paraná, extremo sul e leste de São Paulo, Rio de janeiro e extremo sul de Minas Gerais”, comenta o agrometereologista.

Na quarta-feira (14) essas áreas de instabilidade começam a ganhar um pouco mais de força, devido a formação de uma frente fria no Rio Grande do Sul a partir de quinta-feira (15). “Há possibilidades de novas pancadas de chuva na quarta-feira sobre o sul do Mato Grosso do Sul, na faixa oeste do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e extremo sudoeste do Paraná”, ressalta Santos.

“Há previsões de manutenção das chuvas em grande parte da região norte do Brasil, então norte do Mato Grosso, na região do vale do Araguaia podem ocorrer algumas chuvas, assim como, na região norte de Goiás e Tocantins. No entanto, nesse miolo do Brasil (região central do país) pegando boa parte do Mato Grosso, norte do Mato Grosso do Sul, metade sul de Goiás, cerrado e triângulo mineiro, boa parte de São Paulo, norte do Paraná (apesar do estado poder ter algumas eventuais pancadas de chuva), a tendência é de pouquíssimas chuvas”, acrescenta o especialista.

Segundo Santos, a semana continua sendo de poucas chuvas, apenas na forma de pancadas eventuais, e isso mantém uma condição extremamente preocupante para as culturas do milho safrinha, algodão e feijão. “A ausência de chuvas essa semana pode trazer grandes impactos ao potencial produtivo dessas lavouras, que já estão comprometidas pelo plantio fora da janela ideal, um plantio muitas vezes sobre um excedente hídrico acentuado como foi o caso de algumas lavouras do Mato Grosso e de Goiás. Algumas áreas do Paraná foram plantadas na primeira quinzena de março com água e depois, de lá para cá, já não choveu mais, então tem áreas de 30 dias sem chuvas, e essa semana vamos colocar mais uns quatro a cinco dias sem chuva sobre o Brasil, isso pode agravar ainda mais as condições fisiológicas das lavouras de milho, algodão e feijão”, salienta o agrometereologista.

Então a frente fria que passa a se formar sobre o Rio Grande do Sul, a partir de quinta-feira (15), traz chuvas mais generalizadas sobre boa parte das regiões produtoras do norte da Argentina, Paraguai, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, oeste do Paraná e grande parte do Mato Grosso do Sul na sexta-feira (16).

E no sábado (17), essas áreas de instabilidade ganham ainda mais força sobre a faixa oeste da América do Sul, em especial sobre o Brasil. “Então volta a ter uma condição mais favorável a chuvas generalizadas e, sobretudo, em bons volumes sobre grande parte das regiões produtoras do sul, sudeste e centro-oeste, assim como, em boa parte do Matopiba”, enfatiza Santos.

“Então é uma segunda quinzena de abril muito mais úmida do que a primeira. As temperaturas do Pacífico voltam a se aquecer um pouco nessa semana, levando chuvas mais generalizadas em grande parte das regiões. Ou seja, a segunda quinzena de abril volta a ser marcada por chuvas mais regulares e até mesmo, em alguns momentos, acima da média em boa parte das regiões produtoras de milho safrinha”, reforça o agrometereologista.

Cana-de-açúcar

Para a cultura a semana é mais favorável para a realização da colheita, e com o retorno das chuvas na semana, apesar de atrapalhar o seguimento da colheita da cana-de-açúcar e do café, o clima possibilitará a manutenção do desenvolvimento das lavouras. “Portanto, para o setor canavieiro tais condições mantem-se favorável a colheita, mas prejudica um pouco o desenvolvimento das lavouras, uma vez que as temperaturas nas principais áreas produtoras de cana-de-açúcar ainda se manterão extremamente altas por conta dessa pré-frontal dessa semana”, conclui Santos.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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