Frente fria avança sobre o RS, mas não chega no PR, alerta Santos

As condições climáticas para os próximos dias não estão nada animadoras, principalmente para algumas regiões do Brasil, como Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás. “Os modelos não mostram muitas chuvas para essas regiões produtoras nesses próximos cinco dias”, alerta o agrometereologista da Rural Clima, Marco Antônio dos Santos.

De acordo com Santos, algumas regiões já estão a vários dias sem chuva. “Já não choveu bem essa semana, como os modelos haviam previsto, e muitas áreas ficaram sem receber nada de chuva essa semana, sendo que muitas áreas já estão a mais de 15 dias sem receber uma só gota de chuva. E a tendência é de pouquíssimas chuvas para os próximos cinco dias nessas localidades, até mesmo para o sul do Mato Grosso. Há previsões de eventuais pancadas de chuvas ao longo desses próximos dias, sobre algumas regiões produtores do Norte, da região do Parecis, até mesmo na região do vale há previsões de chuvas, no entanto, essas chuvas continuarão sendo na forma de pancadas”, informa o especialista.

A partir de sábado (10), uma nova frente fria estará passando pelo Rio Grande do Sul e canalizando toda a umidade da Amazonia no Estado gaúcho, em Santa Catarina, bem como na faixa oeste da América do Sul. “Choverá muito, ao longo desse final de semana, sobre a Bolívia, Paraguai, norte da Argentina, e assim canalizando as chuvas para o Rio Grande do Sul. Deste modo, com os corredores de umidade totalmente voltados para o sul do Brasil, essa frente fria não terá forças, ou umidade suficiente, para levar chuvas generalizadas a grande parte das regiões produtoras do Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais”, explica o agrometereologista.

“Até mesmo toda a região do Matopiba deverá ter poucas chuvas, porém as regiões: norte do Tocantins, Maranhão, Pará e norte do Piauí ainda receberão bons volumes de chuvas, assim como o interior do nordeste”, acrescenta Santos.

No entanto, a segunda quinzena de abril será marcada por chuvas mais generalizadas e com bons volumes. “Quando a gente observa a semana do dia 12, ou seja, a próxima semana, até há previsões de eventuais pancadas de chuvas sobre o Paraná, porém sempre na forma de pancadas irregulares. Os modelos só começam a intensificar as chuvas a partir do próximo final de semana (entre os dias 16, 17 e 18 de abril). Aí muda-se o padrão da atmosfera e há condições melhores de chuvas em todas as regiões produtoras ao longo da segunda quinzena de abril”, ressalta o agrometereologista da Rural Clima.

Lavouras

Para as áreas produtoras de milho, cana-de-açúcar, café, algodão e laranja, as condições para essa semana também são preocupantes. “Para a cana-de-açúcar, apesar das condições muito boas para a realização da colheita que seguirá avançando a passos largos, para o desenvolvimento da cultura essa ausência de chuvas também não é boa, assim como, para o café. De uma forma geral, as condições para a realização da colheita estarão boas, mas para o desenvolvimento das lavouras nem tanto, isso porque além da ausência de chuvas nesses próximos dias, as temperaturas voltarão a subir bastante ao longo da semana, isso porque a pré-frontal (aquele sistema de massa de ar que fica na frente da frente fria), elevará as temperaturas máximas para valores acima de 33ºC a 34ºC em muitas partes do Brasil, principalmente sobre grande parte das regiões produtoras de milho, feijão e cana-de-açúcar, e isso poderá sim, agravar ainda mais as condições de desenvolvimento das lavouras”, alerta Santos.

Segundo o agrometereologista, vai chover bem na segunda quinzena de abril, e há previsão de chuvas para os 10 primeiros dias de maio, porém alerta para a situação das lavouras enquanto a chuva não vem. “As chuvas voltam tanto para essa segunda quinzena de abril, quando para o início de maio, porém a grande pergunta fica: como ficarão as lavouras de milho até lá? Já sabemos que muitas lavouras de milho já vêm com problemas de desenvolvimento devido o plantio na janela errada (posterior a janela ideal), baixa radiação solar (excesso de chuvas em fevereiro e início de março em algumas áreas, principalmente em Goiás), plantio com excesso de umidade (resulta em pouco aprofundamento das raízes), então de certa forma, muitas lavouras já estão com problemas, e isso pode afetar ainda mais por conta dessa estiagem de agora”, explica o especialista.

“Então é ficar de olho nas condições climáticas nesses próximos 10 dias, pois serão de fundamental importância para saber a real produção, não só do milho, mas como de outras culturas como cana-de-açúcar, café, feijão e algodão (que também está sofrendo em muitas áreas). Então o clima continuará sendo de fundamental importância nesses próximos 10 a 15 dias”, conclui Santos.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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