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La Niña chegou ao fim. Pacífico Equatorial em neutralidade.

01/04/2021
La Niña chegou ao fim. Pacífico Equatorial em neutralidade.

Foto: Divulgação ClimaTempo

La Niña chegou ao fim. Pacífico Equatorial em neutralidade.

O serviço de meteorologia do governo da Austrália (Australian Government Bureau of Meteorology) informou em seu site na terça-feira, 30 de março, que a maioria dos indicadores associados ao ENSO (El Niño/Oscilação Sul) passaram de La Niña para neutro. 

Em outras palavras, o fenômeno La Niña chegou ao fim e o oceano Pacífico Equatorial voltou para a condição de neutralidade.

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As perspectivas modelos climáticos sugerem que o Pacífico Equatorial permanecerá em níveis neutros de ENOS pelo menos até o fim do inverno.

"O ENOS, ou El Niño/Oscilação Sul, é um fenômeno de interação oceano-atmosfera, associado às variações do oceano e da atmosfera na região do Pacífico Equatorial. A condição de La Niña ocorre quando as temperaturas do Pacífico Equatorial Leste apresentam valores abaixo da média, ou seja, quando observamos uma anomalia negativa de TSM (temperatura da superfície do mar) e também quando ocorre a mudança da circulação de ventos associados a esse padrão.", explica a meteorologista Bianca Lobo.

Temperatura da superfície do mar 

As temperaturas da superfície do mar do Oceano Pacífico tropical têm persistido em valores neutros de ENSO nas últimas semanas. Abaixo da superfície, grande parte do Pacífico tropical está agora com temperaturas próximas da média.

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Indicadores atmosféricos

Os indicadores atmosféricos, em geral, também estão indicando níveis neutros de ENSO. O Índice de Oscilação Sul (Southern Oscillation Index, SOI, na sigla em inglês) está perto de zero, enquanto os ventos alísios estão sendo intensificados pela Oscilação Madden-Julian (MJO). Apenas a nebulosidade perto da linha do Equador continua a mostrar um padrão fraco semelhante ao La Niña.

Essas mudanças são consistentes com as análises dos modelos climáticos que indicam um retorno do Pacífico Equatorial à neutralidade durante o outono do Hemisfério Sul e com pouca expectativa de um retorno aos padrões La Niña nos próximos meses.

A volta das condições neutras no Pacífico Equatorial no outono também é típico do ciclo de vida dos eventos do ENSO. Todos os modelos climáticos indicam que o ENSO permanecerá neutro pelo menos até o final do inverno do Hemisfério Sul.

Influência da MJO  e da AAO no outono de 2021

Sem La Niña, com a neutralidade  do Pacífico Equatorial, outros indicadores atmosféricos passam a ter maior relevância para as análises das variações do Clima no Brasil e na América do Sul, no decorrer do outono.

Fatores como a Oscilação Madden-Julian (Madden-Julian Oscillation, MJO, na sigla em inglês) e o Modo Anular Sul (Antarctic Oscillation, AAO, na sigla em inglês, para diferenciar da AO, Artic Oscillation) ajudam a prever as mudanças no padrão de precipitação e de temperatura no intervalo de algumas semanas. 

"A Oscilação de Madden-Julian pode ser entendia como aglomerados de nuvens convectivas que normalmente se formam próximos à linha do Equador terrestre, no oceano Índico, e depois viajam ao redor do globo, aumentando ou diminuindo a a chuva em diversos continentes. Estas variações ocorrem num intervalo de 30 a 60 dias.", explica a meteorologista Ana Clara Marques, da Climatempo.

O Modo Anular Sul (AAO) é atualmente neutro e espera-se que permaneça neutro nos próximas quinze dias.

"O Modo Anular Sul é basicamente a diferença entre os níveis de pressão em latitudes médias, na faixa entre 45° e 60°, e latitudes altas, que abrange a faixa de latitudes entre 60° e 90°. Se a AAO está negativa, significa mais ciclones e mais frentes frias chegando ao Brasil. Quando a AAO está positiva, as frentes frias que saem da Antártica têm dificuldade para avançar sobre a Argentina e chegar ao Brasil", explica Ana Clara Marques.

Previsão para abril

O mês de abril começa com a fase positiva do Modo Anular Sul sobre a América do Sul. Isto faz com as frentes frias avancem de forma mais oceânica, sem ter grande influência sobre o interior continente. 

"É por isso que durante os primeiros 10 dias de abril vamos observar o predomínio de uma massa de ar seco sobre o centro-sul do Brasil. Assim, a maioria das áreas do Sul, do Sudeste e do Centro-Oeste vai ter dias de sol e tempo seco, típicos de outono. Neste período, até 10 de abril, a chuva sobre o Brasil ficará concentrada na Região Norte e no litoral norte do Nordeste", prevê Ana Clara.

Após o dia 10 de abril, uma grande mudança no padrão de precipitação deverá ocorrer sobre o Brasil, por causa da influência de uma fase positiva da MJO sobre o país.

"Depois do dia 10 abril, a fase positiva da MJO passa a atuar sobre o Brasil e vamos ver um aumento da nebulosidade e das condições de chuva sobre parte das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. Os estados mais beneficiados com a chuva devem ser Goiás, Minas Gerais, Rio De Janeiro e Espírito Santo. Mas algumas áreas da Bahia e de São Paulo, incluindo a Grande São Paulo, também vão sentir um aumento da chuva. O aumento da chuva deve ser percebido até o fim da primeira quinzena de abril." explica Ana Clara Marques

Frio de outono

O mês de abril começa com a influência de uma massa de ar frio de origem polar que alivia o calor nos estados do Sul, em parte do Centro-Oeste e da Região Sudeste.

As capitais Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Campo Grande, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte iniciam o mês com madrugadas amenas e podem registrar as menores temperaturas de 2021 até agora.

Mas este "fresquinho de outono" não vai durar muitos dias e o calor volta a predominar no fim de semana da Páscoa.  Quem curte o friozinho terá que esperar abril terminar para sentir o ar polar novamente.

"Abril deve terminar com a passagem de uma massa de ar frio de moderada a forte intensidade, mas que não terá grande influência sobre o interior do Brasil. A expectativa é de que ocorra uma queda de temperatura acentuada na Região Sul e também nas áreas como o sul e leste do estado de São Paulo, incluindo a Grande São Paulo", prevê Ana Clara Marques. 

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Fonte: ClimaTempo

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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