Colheita de soja alcança 23,4%; alguns produtores retém o grão pré-vendido

A colheita da soja atingiu 23,4% em fevereiro, o que evidencia o atraso da colheita, pois na comparação com o mesmo período do ano passado, a colheita já havia alcançado 44,4%. Na mesma comparação o milho safrinha que está com 31,6% do plantio realizado, em 2020 já estava com 62,8% da safra implantada, de acordo com dados do boletim do Progresso de Safra, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), nesta segunda-feira (1). A soja está com 1,3% em desenvolvimento vegetativo; 27,1% em enchimento de grão; 7% em floração e 41,3 está em fase de maturação.

Alguns produtores brasileiros de soja já venderam antecipadamente o grão, porém segundo o MoneyTimes alguns se recusaram a entregar o produto, pois venderam quando os preços estavam baixos, e agora com a alta nos preços querem renegociar o valor. Isso gerou disputas judiciais e pode causar prejuízos financeiros às negociações. “Essas quebras de contrato geralmente acontecem quando se tem uma forte variação do preço do produto, o que depende das partes envolvidas. Então provavelmente quem não está entregando a soja, é porque ela foi vendida antecipadamente com preço mais baixo do que está hoje, então está retendo a soja para renegociar o preço. Lembrando que tem uma multa, porém dependendo da variação no preço do produto, às vezes, financeiramente compensa pagar a multa e vender no preço atual, e ainda assim tem um resultado melhor do que se tivesse entregado no preço inicial”, explica o zootecnista e analista de mercado da Scot Consultoria, Rafael Ribeiro.

Impulsionada pela forte demanda e produtos físicos fracos, as vendas pré-vendas de soja para os maiores produtores e exportadores mundiais neste trimestre são as mais altas da história. Em julho, 40% da produção esperada para a temporada 2020-21 já estava vendida, ante uma média de cinco anos de 12%.

Em janeiro o preço mais que dobrou devido à forte demanda na China, fazendo com que alguns produtores se arrependam de ter vendido uma quantidade tão alta com antecedência. Casos de inadimplência ainda são vistos como concedidos, o que tem aumentado o tempo para que mais produtores possam tomar medidas semelhantes. “Não só com a soja, mas vimos esse cenário em 2020 no caroço e no farelo de algodão, por exemplo, o caroço foi fechado no contrato a R$ 800/t, e quando chegou no mês de entrega passou para R$ 1500/t, então as empresas vendedoras não cumprem o contrato, pagam a multa do comprador e depois oferecem de novo o produto a R$ 1.550/t”, ressalta o analista de mercado.

Se as negociações exigirem a compra de grãos no mercado spot para cobrir seus próprios negócios no exterior, isso pode causar prejuízos financeiros, pois o exportador não tem a opção de não cumprir seu contrato. “Nesses anos de forte variação do preço, em alta ou em queda, compensa você pagar a multa que está no contrato e depois revender, porém para a empresa que recebe o produto, e que não tem essa entrega concluída pelo produtor, ela acaba não tendo a garantia do produto para venda, que prejudica o abastecimento no final da cadeia produtiva”, conclui Ribeiro.

De acordo com o MoneyTimes, os contratos a termo geralmente não possuem uma cláusula de washout, mas preveem uma multa que deve ser paga em caso de não cumprimento. A penalidade varia de 20% a 50% do valor da carga não entregue. Considerados que os preços locais da soja podem ter dobrado desde a venda antecipada, os agricultores podem ganhar mais pagando a multa e vendendo os mesmos grãos no mercado à vista. Algumas empresas pediram permissão à justiça para recolher a soja que compraram dos produtores, mesmo sendo menos de 20 episódios até agora, o número é considerado alto se compararmos a fase da colheita estar atrasada.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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