Preços do leite e derivados seguiram em valorização durante quase todo o ano, diz CILeite


       O ano de 2020 foi bastante adverso por inúmeros fatores, abalado pela pandemia global da Covid-19. Mas os entraves foram aos poucos sendo superados, com bastante maturidade na cadeia produtiva do leite.
Em um olhar mais amplo da cadeia produtiva do leite, pode-se dizer que 2020 foi um ano diferenciado quando se trata de rentabilidade. Os produtores de leite tiveram aumento de margens, mesmo com a elevação dos custos de produção (Figura 1). O leite no mercado Spot registrou recorde histórico, com alta real de preços, deflacionado pelo IGP-DI, de 19% sobre 2019 favorecendo os que atuam na venda deste produto. A indústria de laticínios se beneficiou, tanto pelo aumento das vendas quanto pela melhoria das margens. Leite UHT e queijo muçarela tiveram ganhos reais de preços, de 14,6% e 14,7%, respectivamente. No caso do leite em pó, a situação foi menos favorável, com alta real de apenas 2,4% sobre 2019, em função de um segundo semestre com fortes importações, o que limitou repasses de preços.
      As importações de leite tiveram incremento de 24,4% sobre 2019, totalizando quase 1,35 bilhão de litros equivalente. Ao longo do segundo semestre houve compras mensais de 180 milhões de litros, o que representou entre 8% e 9% do volume mensal produzido no País. As exportações também avançaram, fechando com alta de 55% sobre 2019 e um total de 100 milhões de litros. Apesar do déficit comercial de 1,25 bilhão de litros, os preços de leite e derivados seguiram em valorização durante quase todo o ano, sustentados por uma demanda robusta, em parte alicerçada pelos R$ 356 bilhões disponibilizados via Auxílio Emergencial (AE). Além disso, ficar em casa fez o brasileiro adquirir mais produtos lácteos para consumo nas residências e para elaboração de receitas, puxando as vendas.
     Todavia, nos últimos dois meses aumentou o sentimento de preocupação no setor, com recuo nos preços dos lácteos no mercado atacadista, no Spot e anúncios de queda ao produtor. Esse sentimento é sustentado por três fatores: incerteza sobre o consumo de lácteos com o fim do AE; maior produção de leite impulsionada pela boa rentabilidade e pelo período de safra; e importações elevadas. A combinação destes fatores poderia criar um excesso de oferta no mercado, algo que o setor ainda não aprendeu a lidar. De fato, o comportamento da demanda sem o AE tende a ser prejudicado, sobretudo em um momento em que a economia ainda não decolou em seu pleno potencial.
      Mas existem informações positivas, em contrapartida. O mercado de trabalho tem mostrado uma rápida recuperação. Desde julho/2020, o saldo de admissões menos demissões têm sido crescente, o que ajuda a gerar renda familiar. A taxa Selic está em patamar historicamente baixo, com juros reais negativos, o que estimula investimentos no setor produtivo e não apenas no mercado financeiro. A inflação oficial, apesar de um repique em 2020, está controlada e baixa, com projeções de encerrar 2021 próximo de 3%. O crescimento da economia mundial em 2021 deve superar 5% segundo o FMI, com destaque para a China (8,2%) e Índia (8,8%), o que ajuda nas exportações brasileiras. A expectativa de crescimento do Brasil é de 3,4%. A vacinação já se iniciou em diversos países e deverá ocorrer também no Brasil, auxiliando na reabertura mais acelerada do setor de serviços.         O último leilão GDT mostrou leite em pó integral a US$ 3,306/tonelada, um bom preço, visto o crescimento constante da oferta global nos últimos meses, sobretudo de União Europeia e Estados Unidos. Finalmente, a entressafra no Brasil está próxima e, apesar dos avanços recentes nos sistemas mais intensivos de produção, a sazonalidade ainda é acentuada na média nacional. Portanto, existem diversos fatores que tendem a colocar um piso nas cotações, mas algum ajuste nos preços ao produtor poderá ocorrer neste primeiro trimestre de 2021. O momento é de cautela.

Fonte: Embrapa Gdo de Leite/CILeite

Publicado por Caroline Ronsoni

Estagiária de Jornalismo

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