Peste suína africana impulsionou em 98,8% as exportações Brasil-China

Em 2019 as exportações de carne suína já haviam quebrado recorde com a China como principal destino

A Destaque Rural conversou com o analista de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, para entender os principais motivos que levaram as exportações de carne suína e bovina a alcançarem novo recorde em 2020, e também, às exportações de carne de aves in natura manterem um volume muito bom comparado aos últimos anos.

Segundo Fabbri o fator principal continuou sendo a peste suína africana, que levou a uma queda brusca na produção chinesa de carne suína. Sendo que o país é o principal consumidor da proteína no mundo. Dados do USDA apontam para uma redução do rebanho e da produção do país na ordem de 29,7% entre 2018, início do surto no país, e 2020. Diante deste cenário o Brasil passou a atuar como o principal fornecedor de proteína ao país.

O cenário político entre EUA e China, com a guerra comercial, puxada pelo presidente Trump, foi outro fator que favoreceu a relação Brasil-China, além da desvalorização do real ante a moeda norte-americana, favorecendo a demanda internacional. “Para termos uma ideia de como o mercado chinês foi o principal fator que favoreceu essa guinada das exportações, em 2019 as exportações de carne suína haviam quebrado recorde com a China como principal destino, e, em 2020, o país seguiu como principal destino, aumentando os volumes embarcados destinados ao país em 98,8% (desconsiderando Hong Kong), além do mercado chinês, merece destaque também a participação de outros países com aumento significativo nas exportações, como Cingapura e Vietnã, que aumentaram as importações da proteína em 49,1% e 205,8%. Com a presença do mercado chinês, as exportações de carne suína in natura em 2020 tiveram um incremento de 37,2%”, explica o analista.

Já as exportações de carne de aves in natura, tiveram um desempenho também excepcional, o terceiro melhor da série histórica. As exportações resultaram em um incremento de 8,7% em relação ao ano de 2019. “Cabe destacar que o crescimento da participação chinesa nas exportações desta categoria foi mais comedido, com um avanço de 13,9% em relação a 2019. Entre os cinco principais importadores do produto, a China foi a única que aumentou as importações entre 2019/20, com outros mercados tendo um crescimento na participação bem mais relevante, como Cingapura, Rússia, Jordânia e Egito, com aumento na participação em 26,1%, 28,4%, 17,5% e 13,2%, respectivamente”, salienta Fabbri.

Mercado Interno

Segundo Fabbri no mercado interno, as cotações do suíno vivo e do frango terminado, considerando a praça de São Paulo como referência, quebraram recordes nominais ao longo do ano. Ambos encerraram 2020 acima da referência do ano anterior, apesar do recuo observado no mercado suinícola entre novembro e dezembro, caindo de uma referência de R$185,00/@, para R$132,00/@ entre novembro e dezembro em decorrência de uma maior oferta e menor demanda no mercado interno. Apesar do recuo, os preços pagos ao produtor retomaram a firmeza, abrindo o ano de 2021 em R$153,00/@, preço 29,7% superior em relação ao mesmo período de 2020. Já os preços do frango terminado em São Paulo, recuaram na última quinzena do mês, virando o ano de 2021 negociado a R$4,30/kg, 34,4% acima do referencial no ano passado.

Para 2021, as exportações devem seguir em bom ritmo, mas devemos ficar atentos à retomada da produção suinícola na China. O USDA prevê que as importações de carne suína e de aves pelo país asiático devem reduzir em, 6%, em relação ao ano de 2020, enquanto a produção de carne suína e de aves no país deve aumentar 9% e 3%, respectivamente. Apesar do cenário, as exportações ao gigante asiático devem manter-se em patamares firmes. Além disso, a relação comercial EUA e China ao longo do governo Biden e os da Parceria Econômica Regional Abrangente (RCEP), devem ser monitorados, também podendo pressionar as exportações brasileiras.

Nesta sexta-feira (15) às 16h faremos uma live no YouTube da Destaque Rural, com a particiação dos analistas de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri e Rodrigo Queiroz.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

Enviando