Produção total de grãos no Brasil deve chegar a 264,8 milhões/t

A Destaque Rural acompanhou a transmissão feita pela Conab 

Segundo o 4º Levantamento da Safra de Grãos, divulgado nesta quarta-feira (13) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a produção total de grãos no Brasil na Safra 2020/2021 é estimada em 264,8 milhões de toneladas. O que representa um crescimento de 3,1% ou de 7,9 milhões de toneladas se comparado com a safra 2019/20, quando a colheita foi de 256,94 milhões de toneladas.

Em relação ao 1º levantamento houve uma redução na expectativa de produção que em outubro de 2020 era de 268,7 toneladas. De acordo com o Diretor-Executivo de Política Agrícola e Informações (Dipai), da Conab, Sérgio de Zen, se deve aos problemas climáticos que afetaram a região Sul, principalmente no Rio Grande do Sul, o que prejudicou muitas lavouras acarretando na perda do plantio e também no replantio das culturas.

Nos últimos 10 anos o país teve um crescimento na produção média de 5% ao ano, enquanto a área cultivada cresceu apenas 1,6% no mesmo período, o que demonstra a capacidade do país em aumentar cada vez mais a produtividade nas lavouras já existentes. “Em torno de 10 milhões de toneladas por ano de grãos foram inseridos no mercado, enquanto a área não passou de um crescimento de 1,6% médio nos últimos 10 anos – um crescimento de três mil hectares por ano”, explica o Diretor do Departamento de Comercialização e Abastecimento do Mapa, Silvio Farnese.

Soja

Com um aumento de área em 3,4%, a produção de soja na safra 2020/21 pode chegar a 133,7 milhões de toneladas no país. A oleaginosa é a principal cultura cultivada e representa cerca de 50% da colheita de grãos no Brasil.

A colheita já teve início no Mato Grosso, conforme foi divulgado pela Companhia no Progresso de Safra desta semana. No estado, que é o principal produtor de soja no país, a produção poderá chegar a 35,43 milhões de toneladas, com uma ligeira queda com o estimado na safra anterior, mesmo com a expectativa de aumento na área plantada. O resultado é reflexo da estimativa de menor produtividade, uma vez que as condições climáticas de 2019 não se repetiram até então.

Milho

Com produção total estimada em 102,3 milhões de toneladas, a primeira safra do milho deve apresentar uma queda de 6,9%.  As condições climáticas desfavoráveis no momento do cultivo da primeira safra influenciaram a produtividade, principalmente no Sul do país. No Rio Grande do Sul, a diminuição neste índice foi estimada em 11%. Com isso, a produção tende a ser 9,3% menor. Em Santa Catarina, os percentuais de queda na produtividade e na colheita da primeira safra são ainda maiores, chegando a 14% e 12,7% respectivamente. Em ambos os estados, a área destinada ao plantio do grão deve crescer, o que reduz um pouco a queda no volume de produção.

Arroz

O aumento de área do arroz foi menor do que o esperado, principalmente pelo fato de as chuvas não abastecerem satisfatoriamente as barragens que fornecem água para as lavouras irrigadas na região Sul. Além do menor aumento de área, as condições climáticas também impactaram a produtividade. Assim, a produção deve atingir 10,9 milhões de toneladas, queda de 2,5% em comparação com a safra anterior.

Neste boletim, houve uma revisão da periodicidade e metodologia do quadro de oferta e demanda de arroz. A Conab alterou a janela de análise anual de cada safra, passando do período de março a fevereiro para janeiro a dezembro.

Esta mudança já era solicitada pelo setor e visa trazer maior transparência e precisão nas estimativas de estoques, uma vez que, ao estimar o estoque de passagem em fevereiro, era preciso desconsiderar o produto novo colhido nos primeiros meses do ano. Isto gerava dificuldade na extração de tal informação, além de poder levar a uma interpretação equivocada do quadro de suprimento, em vista que o estoque físico real, ao final de fevereiro, é sempre maior do que o publicado como estoque de passagem.

Com esta mudança, o estoque físico real, ao final de dezembro, será igual ao publicado como estoque de passagem no fim do mesmo mês, pois a colheita do arroz inicia-se apenas em janeiro de cada ano.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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