Em entrevista, presidente da Afubra avalia o ano e faz projeções

A reportagem Destaque Rural, conversou com o presidente da Associação dos Fumicultores do Brasil, Afubra, Benício Werner. Na conversa, ele explicou sobre os desafios da produção e caminhos do tabaco brasileiro. A sede da associação fica em Santa Cruz do Sul, região dos vales no Rio Grande do Sul.

Destaque Rural: Como o senhor avalia o ano, tendo em vista que foi repleto de contratempos e mudanças?

Benício Werner: Foi um ano difícil; foi um ano de divergências sobre um assunto que, a bem da verdade, ninguém tinha domínio sobre: a Covid-19. Instituições e pessoas emitiam receitas sem nenhuma convicção científica, inclusive, organizações de saúde, ao final de orientações rígidas tomadas, confessaram, mais tarde, que não foi o mais acertado. Olhando para a cadeia produtiva do tabaco, tivemos um período de interrupção, que trouxe alguns problemas de fluxo de caixa para o produtor, mas, com a intervenção da representação dos produtores, foram amenizados durante o período de 17 a 31 de março, quando foi interrompida a comercialização. A partir dessa data, reiniciou a comercialização, não sendo mais interrompida, porém, com maior lentidão, em virtude das restrições que as empresas fumageiras tiveram que implementar conforme os decretos emitidos. Foi um ano, para os produtores, não satisfatório, pois o clima, em grande parte das regiões produtoras prejudicou qualidade em algumas, e em outras regiões, a produtividade. Em consequência, praticamente tirou a lucratividade dos fumicultores.

Destaque Rural: E com relação ao mercado, neste ano, muitas mudanças?

Benício Werner: O consumo nacional e global vem em constante queda. O consumo do cigarro tradicional, em 2019, foi de 5 tri 249 bi de unidades, contra 5 tri 310 bi, em 2018, representando uma queda global de 3,7%. Se excluirmos a China, a queda passa para 5,6%. Analisando o consumo dos novos produtos de tabaco, onde nós, produtores, precisamos apostar nos "tabacos aquecidos", como o próprio nome diz, pois, neles, está claramente visto que é usado tabaco. Tem-se informações de que, em termos de valor, existe uma projeção de 2019 para 2024 de 72% de aumento no consumo dos "tabacos aquecidos". O uso dos cigarros eletrônicos, a base de nicotina líquida, também está em crescimento, porém, não tanto como do "tabaco aquecido".

Destaque Rural: A safra de 2019/2020, foi de acordo com as expectativas da Afubra?

Benício Werner: A safra 2019/2020 não foi satisfatória para o produtor de tabaco. O clima castigou algumas regiões e trouxe queda de produtividade e de lucratividade. O reajuste nas tabelas das empresas fumageiras havia ficado entre 2 a 4%. Porém, na esteira, no momento da comercialização, numa média dos três Estados do Sul do Brasil, o preço praticado ficou em R$ 8,86 por quilo, ou seja, um aumento de apenas 0,34% em relação ao preço médio praticado na safra 2018/2019 (R$ 8,83). Na variedade Virgínia, que responde por 564.962 toneladas, o preço médio ficou em R$ 8,98, um aumento de 0,64%, pois, na safra 2018/2019, o preço médio ficou em R$ 8,92 por quilo. Isso trouxe um prejuízo considerável aos fumicultores.

Destaque Rural: Para 2020/2021, qual a perspectiva da safra?

Benício Werner: A primeira estimativa para a safra de tabaco 2020/2021 é 606.952 toneladas, nos três Estados do Sul do Brasil, o que significa uma redução de 4% comparado à safra passada, que fechou em 633.021 toneladas. Em termos de área, houve uma redução de 6%, passando de 290.397 hectares para 273.356 hectares, nesta safra. Já a expectativa de produtividade é de 2.220 kg/ha, que, pelo clima, após uma leve estiagem na maioria das regiões, com exceção do noroeste do Rio Grande do Sul e leste de Santa Catarina, onde a estiagem foi mais prolongada, a chuva, de modo geral, veio ainda no momento, a grande parte das lavouras se recuperaram e, com isso, a produtividade superará os 2.220 kg/ha da primeira projeção feita. O presidente da Afubra, Benício Albano Werner, explica de que forma a entidade chega a estes números de estimativa. "Temos, em nosso Sistema Mútuo, o número de pés inscritos, por tipo de tabaco. A estes números, soma-se o percentual dos produtores que não estão inscritos no Sistema. O último percentual usado é o de produtores que plantam a mais ou a menos que o inscrito, verificado durante a contagem de lavouras dos associados atingidos por intempéries climáticas. Estes três fatores nos dão a área plantada".

Destaque Rural: Sabemos que a Expoagro Afubra é um grande evento do setor, que, acabou não sendo realizada. Para 2021, como estão as ideias para o evento?

Benício Werner: Continuamos a planejar a 20ª Expoagro Afubra para os dias 17 a 20 de março de 2021. Também estamos em constante contato com o Governo Gaúcho e, nos próximos dias, nomearemos uma Comissão, integrada pela Afubra, setor da Saúde do Estado e do município de Rio Pardo, para estabelecermos ações e protocolos que objetivam a segurança dos nossos expositores e visitantes.

Acreditamos que o mês de março será favorável para a realização da Feira.

Destaque Rural: E quais as expectativas da Afubra para o ano que virá?

Benício Werner: Com relação ao tabaco, neste momento, estamos tendo uma expectativa positiva, pois o clima, principalmente, as chuvas, estão mais frequentes e atingindo as áreas produtoras de tabaco, o que não ocorreu na safra passada. Isto é um prenúncio que os produtores terão uma safra lucrativa, pois a qualidade será superior do que a safra passada. Tanto é que as informações de produtores que já comercializaram em dezembro foram muito positivas. A perspectiva que temos é que tenhamos uma comercialização mais positiva e, consequentemente, com uma lucratividade melhor para o produtor.

Destaque Rural: Por fim, pedimos que deixe uma mensagem aos nossos leitores e espectadores.

Benício Werner: O ano de 2020 foi desafiador, porém, creio que podemos e devemos tirar lições desses desafios: a necessidade da união, da empatia e do comprometimento de uns com os outros. Tudo foi diferente, em todos os setores e áreas de atuação, seja no meio rural ou no urbano. O que desejamos, para todos, é que tenhamos um Natal abençoado e um novo ano mais leve e com muita prosperidade. Que possamos continuar enfrentando, juntos, as adversidades e sejamos, sempre, fraternos e alegres.

Publicado por Gabriel Mathias Haag

Jornalista Destaque Rural

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