Tripanosomose bovina: só controla quem conhece!

Cadê o prejuízo?

Tripanosomose bovina é uma doença que atualmente está chamando a atenção dos produtores de leite, pelo fato de causar grande impacto na produção de leite diária (queda de 50% ou mais), redução nos índices de fertilidade do rebanho, rápida disseminação nas propriedades e, ainda, alta taxa de mortalidade em vacas (Figura 1) (Abrão et al., 2009).

Figura 1. Vaca em lactação que foi à óbito após infecção por Trypanosoma vivax  (Bastos et al., 2017).

 

Quem é o culpado?

Diferente das principais doenças que conhecemos, provocadas por bactérias, vírus e fungos, Tripanosomose é causada por um tipo de parasito conhecido como protozoário. Este protozoário, chamado Trypanosoma vivax (Figura 2), é um ser vivo com características de vida muito diferentes. Isso faz com que sua forma de crescimento, reprodução, resistência, tratamento e prevenção sejam desconhecidas por muitos.

Figura 2. Vinte e cinco exemplares de Trypanosoma vivax em amostra de sangue de bovino (Bastos et al., 2017).

Para exemplificar, Trypanosoma vivax não consegue viver na água, ar ou solo. Ele habita o sangue dos animais parasitados (veja o vídeo abaixo), pois é neste local que encontra todos os nutrientes que precisa e, consequentemente, permite sua rápida multiplicação.

 

Por que eu nunca ouvi falar sobre essa doença antes?

Trata-se de uma doença africana, que chegou com a importação de animais infectados. Os primeiros relatos dela no Brasil foram feitos em 1946. Contudo, permaneceu com o registro de poucos casos – em búfalos e bovinos de corte – até final da década de 1990.

Foi no início do novo século que ela reapareceu, de forma incomum, causando doença em bovinos de leite. Desde então, pode-se ver no Quadro 1 que a quantidade de casos foram aumentando (Bastos et al., 2017).

Quadro 1. Distribuição, ano de ocorrência e referência bibliográfica dos primeiros relatos de Trypanosoma vivax nos diferentes estados brasileiros.

Como essa doença pode chegar na minha propriedade?

Por conta de um comportamento parecido na África, já sabemos que no Brasil as mutucas são insetos que transmitem este parasito, enquanto se alimenta de sangue. Assim, essa mosca pode se contaminar na propriedade vizinhança e trazer a doença para seus animais (Desquesnes, 2004).

Mas, como mencionei anteriormente, o comportamento desta doença mudou nestes últimos anos. Então, foi necessário voltar a estudar e observar este protozoário, para entender como ele faz para chegar em locais onde, por exemplo, não se tem mutuca.

Várias hipóteses foram levantadas por diversos pesquisadores brasileiros. Algumas confirmadas, outras descartadas e ainda temos uma série em investigação. De forma resumida, até hoje sabemos pouco. Mas, com as poucas comprovações que conseguimos, podemos dizer que a venda de animal assintomático parasitado, juntamente com o uso de uma só agulha em vários animais são os principais motivos para a doença ter se espalhado no Brasil nos últimos anos (Bastos et al., 2017).

Será que essa doença entrou no meu rebanho e como devo tratar meus animais?

Creio que você, bovinocultor, esteja fazendo esta pergunta agora. Realmente é algo preocupante, só que ainda preciso explicar outros detalhes para que consiga chegar à resposta. Portanto, será necessário discutirmos isso melhor no próximo artigo. Até lá!

 

Referências

Abrão DC, de Carvalho AÚ, Facury Filho EJ, Bartholomeu DC, Ribeiro MFB. ASPECTOS CLÍNICOS E PATOLÓGICOS DA INFECÇÃO NATURAL EM BOVINOS LEITEIROS POR Trypanosoma vivax EM MINAS GERAIS, BRASIL. Ciência Animal Brasileira. 2009;1:666-71.

Bastos TSA, Faria AM, Madrid DMdC, Bessa LCd, Linhares GFC, Fidelis Junior OL, et al. First outbreak and subsequent cases of Trypanosoma vivax in the state of Goiás, Brazil. Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária. 2017;26(3):366-71.

Desquesnes M. Livestock trypanosomoses and their vectors in Latin America: OIE (World Organisation for Animal Health); 2004.

Fonte: MilkPoint

Redação Destaque Rural
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