Agronegócio

Destaque Rural acompanha 1º Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas

O evento abordou temáticas como superação e resiliência, sucessão familiar, gestão financeira da propriedade e as perspectivas para o agronegócio no cenário político e econômico

O primeiro Encontro Nacional das Mulheres Cooperativistas, que ocorreu nos dias 29 e 30 de setembro, contou com a participação de diversas personalidades do agronegócio. Por meio de uma plataforma digital cerca de 10 mil mulheres que atuam em mais de 200 cooperativas em todo o Brasil, tiveram a oportunidade de acompanhar as palestras e painéis apresentados virtualmente pelo Grupo Conecta.

Para abrir o evento o presidente do Sistema das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, comenta sobre importância das mulheres na transformação do cooperativismo brasileiro pós pandemia, assim como a implementação de processos como inovação, integridade e sustentabilidade. “Nós vamos precisar dessas três coisas nesse novo cenário, porque mais do mesmo não nos levar a lugares diferentes” reforça.

A Ministra da Agricultura, Tereza Cristina, falou sobre o “Atual contexto do agronegócio e os principais desafios”, ressaltando a importância do agronegócio na economia. “50 anos atrás, éramos importadores líquidos de alimentos, e a pesquisa, a inovação e a organização do setor fez com que tenhamos um setor organizado que produz apesar de qualquer coisa e sob qualquer tempo”, salienta.

Segundo a ministra, a pandemia trouxe diversos desafios, mas enquanto muitos setores fecharam devido ao isolamento social, o agronegócio conseguiu se reinventar, dentro e fora da porteira, trabalhando e produzindo com segurança, e ainda abastecendo as prateleiras dos supermercados. Dentro deste cenário Tereza Cristina reforçou o trabalho intenso dos caminhoneiros, produtores e todos trabalhadores do agronegócio, assim como, a presença das cooperativas no auxílio ao produtor rural. “As cooperativas também são muito importantes, porque são elos de uma organização de várias cadeias produtivas”, concluiu a ministra.

A presidente da Sociedade Rural Brasileira, Teresa Vendramini (Teka), reforçou que a produção agrícola aumentou 385%, enquanto a área agrícola cerca de 32%, o que demonstra a habilidade do produtor brasileiro em aumentar a produtividade a cada ano. “De janeiro a maio, o agronegócio representou 24,4% do PIB brasileiro, sendo o único setor com desempenho positivo nesse semestre” reforçou Teka.

Teka listou diversos desafios que produtor rural enfrenta, sendo eles a regularização fundiária, a infraestrutura e logística, saneamento básico e principalmente o acesso à educação, a tecnologia e a capacitação técnica. “Pouco mais de 80% dos produtores rurais são pequenos, e desses 70% só tem acesso ao ensino fundamental” esclarece Teka.

Corteva participa de painel para discutir rede de apoio às mulheres do setor

O painel com a presença de lideranças da Corteva, contou com a participação da Diretora Comercial da Área Leste, Mariana Castanho, e da Diretora Comercial da Área Sul & Paraguai, Sheilla Pereira, abordaram iniciativas para ampliar a participação feminina no agronegócio e em funções de liderança. A Gerente de Relações Institucionais, Rosemeire dos Santos, conduziu o painel.

Durante o painel Mariana reforçou a importância das redes de apoio as mulheres para gerar equidade de gênero, ou seja, dar oportunidades e ferramentas para que pessoas diferentes possam se desenvolver de formas diferentes e conseguir entregar seu potencial máximo. "Entendemos que além de estimular a maior participação feminina no setor, precisamos criar uma rede de apoio que estimule a formação de futuras líderes. Na Corteva percebemos o quanto iniciativas dessa natureza impactam positivamente a vida dessas mulheres e das comunidades nas quais elas atuam", destaca Mariana. 

Sheila também reforça o papel das empresas, instituições, associações e cooperativas no aumento da participação feminina no agronegócio. "Precisamos trabalhar para que o protagonismo feminino seja uma realidade no meio rural", complementa. Neste sentido, atualmente a Corteva tem 50% das mulheres na liderança comercial e 38% no concelho diretor.

A empresa está sempre buscando mais equidade no agronegócio, desta forma realizou uma pesquisa em 2018, com 4 mil produtoras rurais de 17 países (Indonésia, China, Índia, Estados Unidos, Canadá, Argentina, México, Alemanha e o Brasil), para entender onde estavam as coincidências e as desigualdades de percepções registradas por mulheres do meio agrícola, de países que possuem características sociais e econômicas diferentes, além de descobrir quais eram suas principais aspirações, desejos e dificuldades no setor.

“90% das mulheres brasileiras entrevistadas, tem orgulho em trabalhar no setor do agronegócio, mas 78% dessas mulheres acredita que ainda existe discriminação de gênero no Brasil, e isso está bem acima da média mundial”, e ainda que “89% dessas mulheres gostariam de ter mais treinamento técnico”, reforça Mariana. Entre as iniciativas conduzidas pela Corteva para ampliar a participação feminina no setor, destaque para a Academia de Liderança das Mulheres do Agronegócio, realizada em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) e Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG). Lançado em 2019, o projeto está na sua segunda edição e com um número maior de participantes, saltando de 20 alunas em 2019 para 150 em 2020. 

Demais palestras e painéis

Quatorze mulheres do Núcleo Feminino da Cooabriel participaram do encontro. “O mundo virtual ainda é um obstáculo para algumas, mas não é impossível. O encontro é muito rico em experiências de mulheres que se superaram no agro. Já tivemos um aprendizado muito grande”, afirmou a coordenadora do Núcleo Feminino pela Cooabriel, Nadya Bronelle.

O jornalista Alexandre Garcia juntamente com o Coordenador de Agronegócios da Fundação Getúlio Vargas, Roberto Rodrigues falaram sobre as “Perspectivas do agronegócio no cenário político e econômico”. Com o tema “Mulher sábia edifica sua família, sua propriedade e seus negócios”, o encontro também trouxe uma palestra do Padre Fábio de Melo, com o objetivo de proporcionar às participantes um conteúdo completo, que abrange o dia a dia profissional, mas também se preocupa com as emoções, o equilíbrio e o bem-estar.

“As mulheres cooperativistas são gestoras de propriedades e têm uma responsabilidade grande na área administrativa, financeira e de recursos humanos e, ao mesmo tempo, equilibram a balança como mãe, esposa e mulher. Um dos grandes objetivos é que elas aprendam sobre gestão ao mesmo tempo em que valorizem seu lado feminino, suas potencialidades e tenham sinergia entre todos os papéis que precisam equilibrar”, afirma a Diretora Executiva do Grupo Conecta e Diretora na MPrado Cooperativas, Luciana Martins.

O evento também contou com a participação do cantor e palestrante Leo Chaves, que falou sobre “Gratidão: o ciclo constante de plantio e colheita da vida – como identificar o caminho certo”, além de dezenas de especialistas sobre gestão, sucessão familiar, custo e produtividade, crédito rural, entre outros.

“É de fundamental importância um espaço, um evento que proporcione reflexões e conexões para que a gente perceba que não está só. Afinal, somos muitas e é importante estarmos juntas debatendo e construindo uma base sólida para enfrentarmos essa fase. Ao invés de desistirmos, esse é o momento de insistirmos em nossos objetivos. É assim que vamos construir uma sociedade mais forte, mais justa e equilibrada para todos e todas”, afirma a Gerente Geral da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB), Tânia Zanella.

Larissa Schäfer
Publicado por Larissa Schäfer

Formada em Jornalismo pela Universidade de Passo Fundo (UPF).

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