Visão e expectativa de consumidores de grãos no Estado é tema do 5º webinar do Pró-Milho/RS

Cerca de 400 pessoas, entre produtores rurais e representantes de órgãos públicos, setores produtivo e industrial, instituições de pesquisa e assistência técnica participaram, nesta quarta-feira (02/09), do 5º Seminário do Pró-Milho/RS, que debateu virtualmente o tema "Visão e expectativa de consumidores de grãos no Rio Grande do Sul". O evento é uma parceira entre a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e a Emater/RS-Ascar e foi transmitido simultaneamente pelo YouTube do Rio Grande Rural e pelo Facebook da Emater/RS-Ascar.

Na abertura, o presidente da Emater/RS, Geraldo Sandri, reforçou a importância do Pró-Milho, ainda mais diante da estiagem, pandemia. "É um brilhante trabalho feito a muitas mãos, levado a campo por um grande e qualificado grupo de parceiros". Já o secretário Covatti Filho reiterou a prioridade de continuar trabalhando em 2021para fortalecer a cadeia produtiva do milho no Estado. "Nosso objetivo é não atrapalhar aqueles que querem produzir. Por isso, precisamos de políticas públicas fortes, como é o Pró-Milho", afirmou.

Por sua vez, o presidente executivo da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) e do Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas no Estado do RS (Sipargs), José Eduardo dos Santos, disse que a avicultura do Rio Grande do Sul não pode mais sofrer impactos do deficit de milho. "O setor se desenvolve com planejamento, e esta situação de falta de produção gera muitos entraves, além de perda de competitividade".

Também o presidente do Fundo de Desenvolvimento e Defesa do Saneamento Animal (Fundesa) e diretor executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos no Estado do RS (Sips), Rogério Kerber, reafirmou a importância da produção do milho para a produção de suínos no RS. "A cultura do milho é de extrema importância para o agronegócio. Ela dá base de sustentação a outras cadeias produtivas do Estado".

O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, afirmou que a entidade tem entendido e conversado com o Mapa, fazendo um pedido, sem nenhum prejuízo ao produtor, de isenção temporária de tarifa de importação, talvez da Ucrânia e Estados Unidos, porque aqui no Mercosul já são desoneradas, tentando buscar com o governo algumas soluções para produção. "Para que a gente possa ficar com esse milho aqui e transformá-lo em proteína animal e assim criar mais emprego, gerar renda e assim por diante, fortalecendo essa cadeia".

O presidente da Cooperativa Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, ressaltou a satisfação em ver que o Estado assumiu o desafio de aumentar a produção do milho. "Esse programa é uma reivindicação das agroindústrias dos suínos e dos frangos há vários anos, que são as duas principais cadeias consumidoras de milho, além da cadeia leiteira, que também consome, embora em menor quantidade".

Para Freitas, a questão sempre foi um problema sério no RS, que não produz milho suficiente para abastecer o consumo, o que gera perda de competitividade em relação a agroindústrias de outras do Centro-Oeste e Paraná. "Gastamos muito com frete, importando milho do Paraná, Mato Grosso e agora também do Paraguai". Então os desafios desse programa são grandes pela dificuldade de motivar os produtores de grãos a trocar a soja pelo milho no intuito de deixar o Estado autossuficiente. "Da nossa parte, como cooperativa sediada no RS, vamos dar o máximo apoio ao programa no sentido de fazer com que ele cresça e atinja os resultados esperados".

Segundo o diretor de suprimentos de Commodities da JBS/Seara Alimentos, Arene Trevisan, acabou o ciclo de que grandes safras significavam milho em abundância no Brasil. "As novas interferências na comercialização, com a entrada das tradings, indústria do etanol de milho, corredor norte, além de hidrovias, ferrovias e portos mais eficientes, são peças para a construção de um novo entendimento para assegurar o abastecimento no Brasil".

Palestras
O diretor de Políticas Agrícolas e Desenvolvimento Rural da Seapdr, Ivan Bonetti, contou que, de 2019 até maio de 2020, o Estado deixou de arrecadar R$ 260 milhões em ICMS por não produzir milho suficiente. "Diante desse fato e também da preocupação em não haver o estrangulamento de um setor tão importante, responsável por 10% do PIB estadual, entre outros motivos, foi criado o Programa Pró-Milho, que tem o objetivo de tornar o Rio Grande do Sul autossuficiente em milho, na relação produção/consumo".

Na palestra "O Milho e o Desenvolvimento do Setor Agropecuário", a superintendente do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul, Helena Pan Rugeri, afirmou que sempre foi uma preocupação o aumento da produção da cultura no Estado. Ainda ressaltou esse ano atípico onde uma estiagem deixou muitas marcas na produção, uma geada que ainda não se tem mensurado as consequências,e uma pandemia que altera todas as rotinas de trabalho. "Apesar de tudo isso, a agricultura brasileira e gaúcha está num momento favorável, com notícias da elevação do preço e possibilidade de comercialização de safra futura, tudo isso também pode, apesar de tudo, favorecer nosso produtor".

No restante da fala, Helena deu enfoque na sanidade e qualidade do milho para os fins a que se destina, tanto para alimentação humana com vários produtos, como para a alimentação animal, tema desse webinar, "porque o milho é o principal alimento para a produção animal, principalmente, aves e suínos, setores importantíssimos para o Rio Grande do Sul. Por isso a necessidade de políticas públicas para ampliação da produção em busca de autossuficiência no Estado".

Por sua vez, o sócio-diretor de Consultoria da Cogo Inteligência em Agronegócio, Carlos Cogo, falou sobre o "Cenário para o Milho e Proteínas Animais para 2021". Ele abordou as tendências para o mercado global de milho, no Brasil e no Rio Grande do Sul, e os impactos dos preços sobre os custos de produção das carnes, especialmente frango e suína. E sugeriu: "uma alternativa para expandir a produção de milho no Rio Grande do Sul, viável e que não conflita com a expansão acelerada das áreas de soja em todo o Estado, é fomentar o uso de irrigação por aspersão na Metade Norte do Estado e a inclusão do milho na rotação com soja e arroz na Metade Sul".

Fonte: Assessoria de Imprensa da Emater/RS-Ascar

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