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Nutrição e Reprodução

Por Neto Carvalho*

A reprodução é um aspecto muito importante de qualquer operação leiteira. Existem muitos fatores que afetam negativamente o desempenho reprodutivo na fazenda, incluindo falhas na detecção de cio, estresse por calor, problemas de cascos e falta de conforto para as vacas. A nutrição também é um papel importante no sucesso da reprodução. 

A forma de avaliação da produção de leite, está diretamente relacionada com o desempenho reprodutivo. 

A eficiência reprodutiva de um rebanho leiteiro, é determinada pela capacidade das vacas em produzir anualmente uma bezerra, e para atingir esse objetivo, a concepção deve acontecer no máximo até o 85º dia pós-parto. Isto implica na necessidade das vacas retomar o mais rapidamente possível a atividade reprodutiva no pós-parto. No início da lactação, vacas de alta produção apresentam balanço energético negativo, e sua magnitude influencia o desenvolvimento folicular, o intervalo para a primeira ovulação e a taxa de concepção ao 1º serviço. 

Já o anestro pós-parto pode reduzir a eficiência reprodutiva por atrasar o 1º serviço, pois as vacas que não apresentam estro nos primeiros 30 dias pós-parto, requerem mais serviços por concepção, com maior risco de serem descartadas. O início da lactação cria um enorme dreno de nutrientes em vacas leiteiras de alta produção que, em muitos casos, antagoniza a retomada do ciclo de ovulação. Durante o pós-parto inicial, a reprodução é diferido em favor da sobrevivência individual. Portanto, no caso da vaca leiteira, a lactação torna-se prioridade em detrimento das funções reprodutivas. E por isso, o manejo nutricional e reprodutivo é parte importante em um sistema de produção de leite do rebanho.

Deficiências nutricionais na dieta pré-parto podem afetar negativamente a reprodução. Por exemplo, a deficiência de Vitamina E, e Selênio implica em maior incidência de retenção de placenta e natimortos, podendo afetar a fertilidade e a performance reprodutiva.  

O mesmo se enquadra no pós parto, se houver deficiências nutricionais nos primeiros 21 dias pós-parto, especialmente energia, podem ter efeitos adversos significativos sobre a eficiência reprodutiva subsequente. Estudos indicam que alterações no escore de condição corporal (perda de peso), estão associados a redução na eficiência reprodutiva. A magnitude da perda de escore de condição corporal (ECC) depois do parto, pode aumentar a porcentagem de vacas que não estão ciclando ao final do período voluntário de espera. 

A correlação entre ingestão de energia e energia na dieta (carboidratos) exerce profundos efeitos sobre o desempenho produtivo e reprodutivo da vaca, como por exemplo o atraso no retorno à ciclicidade. O balanço negativo de energia reduz o crescimento do folículo dominante e a produção de estradiol. 

Desta forma, é necessário buscar alternativas para composição da fração energética da dieta, como por exemplo a gordura protegida* para melhorar a reprodução. (Gordura protegida da ação ruminal são todas as gorduras que são inertes durante sua passagem pelo rúmen e são absorvidas apenas no intestino do ruminante). 

A gordura contém 2,5 a 3 vezes mais calorias que carbo-hidrato, e tem a vantagem de não ser fermentado no rúmen, ou seja não gera calor para digestão. O uso de gordura em dietas de gado leiteiro geralmente aumenta a densidade de energia e melhora a lactação e a reprodução.

A composição da fração proteica também poderá contribuir para o sucesso do programa reprodutivo, especialmente os aminoácidos. Em pesquisa recente foi demonstrado que a suplementação de metionina protegida da ação ruminal altera a expressão gênica em embriões em fase de pré-implantação e reduz perdas gestacionais subsequentes em vacas leiteiras em lactação.

O excesso de Proteína Degradada no Rúmen (PDR) pode contribuir para redução na fertilidade em vacas leiteiras, e que o excesso de PDR também pode exacerbar o balanço energético negativo durante o início da lactação.
O excesso na ingestão de PDR provoca uma elevação nos níveis plasmáticos e teciduais de amônia (NH3), ureia e outros compostos não nitrogenados. A ureia plasmática quando maiores que 20 mg/dl é tóxica ao espermatozóide e ao óvulo, podendo provocar redução nas taxas de concepção.

Uma maneira de monitorarmos isso é através da análise do nitrogênio ureico do leite, onde se espera um resultado entre 10 a 14 mg/dl, ou 10 a 16 mg/dl para rebanhos de maior produtividade. Para minimizar os efeitos negativos de dietas com alta densidade proteica, deve-se sempre observar a sincronia energia: proteína no balanceamento de dietas de vacas em lactação.

A fertilidade pode ser influenciada de maneira positiva ou negativa por deficiências ou excessos de energia/carboidratos e proteína/aminoácidos. 

Em um sistema de produção de leite, idealmente, busca-se alcançar  intervalos entre partos curtos (12 a 13 meses) pois aumentam a produção de leite por dia de vida útil da vaca e resultam em maior número de bezerras nascidas.

Isto mostra a importância do bom manejo nutricional, visando minimizar perda de peso, associado ao bom manejo reprodutivo, principalmente boa detecção de cio, visando manter boa eficiência reprodutiva do rebanho.

Vacas leiteiras devem ter sempre uma alta qualidade dieta e disponível para garantir o máximo consumo.

Alimentando com forragens de alta qualidade, aumentando a proporção de concentrado: forragem ou adição de gordura suplementar às dietas são algumas das maneiras mais comuns de melhorar a ingestão de energia em vacas.

Níveis adequados de minerais e vitaminas também são muito importantes para uma reprodução bem-sucedida. A deficiência de suplementação de minerais e vitaminas terá um efeito prejudicial na reprodução.

Desta forma podemos concluir que a nutrição tem um papel importante no sucesso reprodutivo de um rebanho. A gestão do manejo e da alimentação no período de transição (pré e pós parto) controlando o balanço energético negativo e alimentação adequada com proteína, os níveis de minerais e vitaminas desempenham um papel na melhoria do desempenho reprodutivo. 

No entanto, outros fatores de manejo devem ser considerados para o sucesso reprodutivo como, maior eficiência na detecção do cio, estratégias para o combate do stress calórico e promover conforto das vacas são essenciais para uma reprodução bem-sucedida. Estes, juntamente com nutrição, são componentes essenciais para o desempenho reprodutivo ser bem sucedido na fazenda.

*Consultor Técnico de Leite da Cargill Nutrição Animal  

Redação Destaque Rural
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