“Não importa o sistema de produção, ele precisa ser rentável”

Marcos Tulio Borges Caetano, Bruno Carneiro, Luis Cesar Dias Drumond, Moacyr Corsi e Alceu Moreira, foram os palestrantes do dia 6 de agosto.

O Encontro de Recriadores da Scot Consultoria fez, nesse dia, um comparativo de três sistemas intensivos, entendendo no final as principais dores da intensificação, independente do sistema adotado. O segundo dia também contou com uma agenda repleta de grandes nomes do mercado pecuário. Confira:

Recria no cocho

O palestrante Marcos Tulio Borges Caetano, do Confinamento São Lucas, destacou as oportunidades de crescimento que foram surgindo ao longo dos anos e que os empurraram para o confinamento de bovinos. Descreveu os desafios vividos e como a recria de bovinos no cocho é simples, se bem executada. “Olhar para trás é essencial para dar segurança no caminho que está sendo trilhado e na caminhada futura.”

Para o crescimento a organização foi fundamental: gestão, nutrição e estrutura.
A gestão, através de planejamento e análise PDCA, com a participação e envolvimento da equipe.

A nutrição é ponto chave no sucesso e, também passa pela gestão. O cálculo correto da dieta e a seleção dos tratadores que a fornecerão é fundamental para que o animal obtenha o resultado esperado e no retorno econômico projetado.

Por fim, discorreu sobre as estruturas dizendo: “- Não tem o que inventar, basicamente cocho, piquete para movimentação do gado e bebedouro. A adequação das estruturas à realidade de cada fazenda é essencial e, a qualidade das estruturas, principalmente de cochos e bebedouros é pré- requisito para a prosperidade do negócio”.

Recria intensiva em um Projeto de integração Lavoura-pecuária

Bruno Carneiro, pesquisador da EMBRAPA Agrossilvipastoril, mostrou que a busca pela precocidade sexual e aspectos reprodutivos são importantes, mas o sistema de produção, que ocorre em pastagens, deve dar o seu devido papel a esses campos, devendo trata-los feito lavouras e como a melhor ferramenta de produção. Entender a necessidade de conservar e recuperar os pastos.

Destacou o incremento de 150% na produção em 15 anos com a integração, abrindo novas opções de uso das pastagens. “Seguíamos uma estação de monta tradicional, como boa parte das fazendas, baseados na taxa de acúmulo de forragens e no período de chuvas. Porém, a presença da soja e sistemas integrados permitiu uma segunda curva de produção de forragem, realizada logo após a colheita da soja, permitindo uma inversão da estação de monta na propriedade e melhores condições de pastagens às lactantes e animais desmamados”.

A melhora dos números ligados a reprodução, como precocidade e consequente diminuição do ciclo reprodutivo, com fêmeas inseminadas mais cedo, foram o destaque da palestra. A redução da idade ao primeiro bezerro em quase 12 meses foi conseguida. “A melhora na recria traz benefícios ao pecuarista, um maior poder de decisão dentro da porteira e a possibilidade de realizar uma recria/terminação mais firme, onde a integração atua como um amortizador ou produto de incremento à atividade principal da fazenda.”

Recria intensiva embaixo do pivô

Luis César D. Drummond fez uma provocação e sugeriu que se deixasse de pensar que o pasto não é uma cultura, e que sua otimização é necessária para obter o máximo potencial produtivo. Como? Combatendo os fatores limitantes: precipitação, clima e etc.. Sem um diagnóstico e o conhecimento das interações, não é possível trabalhar.

O enfoque foi a irrigação com pivô central e fertirrigação para a produção de pastagem no nordeste brasileiro desde 2012. Um dos principais custos na implantação do sistema são os fertilizantes e, a adaptação de efluente de resíduos orgânicos na propriedade diminui o custo no projeto, caindo de 26% para 10%, aproximadamente. A redução nos custos de produção aumenta a receita por hectare em quase R$3 mil na recria.

As dores de um projeto de recria superintensificado

“Cada fase da pecuária possui diferentes dores percebidas, desse modo: - criador, recriador, confinador e empreendedor. Aqueles que consideram as dores, como desafios e oportunidades, saem vencedores, enquanto aqueles que reclamam e procuram culpados, e não soluções saem vencidos.” Assim foi o preâmbulo da palestra do professor Moacyr Corsi.

A preocupação é incurável nas diversas fases: na do arrependimento de perda de oportunidades, na mudança do rumo que não foi feita e nos resultados não obtidos.

As oportunidades devem ser agarradas e nunca seguradas, e a maneira de aproveitar as oportunidades é quando elas vêm. Mas como identificá-las? Observando e interpretando dados. As oportunidades são aproveitadas através da intensificação da recria, mesmo ante o atual cenário de elevação da cotação do bezerro ao redor de 50% e da alta dos preços dos insumos. 

O que vi e aprendi com as crises que vivi

“Crises de modo geral sempre foram de grande importância para o aprendizado, aprendemos com todas elas e estamos aprendendo agora com a crise do covid-19”. Foi assim que Alceu Moreira (Frente Parlamentar Agropecuária) iniciou sua palestra de encerramento do Encontro de Recriadores. A segurança alimentar, antes de pouco destaque, hoje é essencial e não há no mundo quem projete um futuro sem abordar a segurança alimentar. O agro brasileiro, deverá em breve alimentará dois bilhões de pessoas.

O orçamento discutido pelo parlamento é falho em dotar recursos para pesquisa e inovação, e é nesta frente que devemos atuar. “As universidades devem ter parcerias, privadas ou públicas; os resultados das pesquisas da EMBRAPA devem chegar ao campo. 

Essa crise nos ensinou que os investimentos em ciência e tecnologia precisam ser preservados e ampliados. Que sem eles estaríamos numa situação desconfortável em relação ao abastecimento de alimentos e que a cooperação e o conhecimento devem ser prioritários. Assim como a difusão desse conhecimento.

Redação Destaque Rural
Publicado por Redação Destaque Rural

Portal Destaque Rural

Enviando