China se torna a maior parceria comercial da Argentina após Covid-19

Compras chinesas crescem 51% em relação a abril de 2019
Pela primeira vez em 16 anos, o Brasil deixou de ser o principal destino de exportações da Argentina, cedendo a liderança para a China. Em abril, os chineses compraram 509 milhões de dólares em produtos argentinos -- uma alta de 50,9% em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo dados do INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos, uma espécie de IBGE local). A soja respondeu por metade desse valor. As exportações argentinas para o Brasil, por sua vez, somaram 387 milhões de dólares, queda de 57,3% na comparação com abril de 2019.
 
De acordo com Cristina Helena Pinto de Mello, economista e pró-reitora nacional de pesquisa da ESPM, dois fatores levaram a essa mudança. "Temos uma questão monetária. O peso argentino desvalorizou mais que o real em relação ao dólar, o que torna os produtos deles mais baratos no mercado internacional. Há também os seguidos enfrentamentos causados pelo Brasil na condução de sua política internacional. A resposta da China e da Argentina foi nos lembrar de que não somos o único player da região."
 
Ainda que tenha perdido o pódio entre os maiores importadores de produtos argentinos, o Brasil segue tendo muita relevância graças ao tamanho de seu mercado doméstico. "Esse continua a ser um trunfo do país nas relações comerciais", afirma Cristina. "Mas é evidente a falta de uma ação coordenada para exportação, redesenhada de acordo com a conjuntura econômica particular da pandemia. Iniciativas dessa natureza mitigariam parcialmente os efeitos da crise econômica que vivemos."
Redação Destaque Rural
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