Grãos: exportações seguem normalmente e dólar alto favorece comercialização

Por outro lado, desvalorização do real tem potencial para encarecer os custos de produção do próximo ciclo e incertezas em meio à pandemia da covid-19 poderão arrefecer o crédito das tradings – importante fonte de recursos – para o produtor rural na temporada 2020/21

O fluxo das exportações brasileiras de grãos, especialmente soja, segue normalmente, inclusive com recordes nos embarques nos meses de março e abril. Ainda no terreno positivo, o dólar valorizado vem contribuindo para acelerar a comercialização. Já do lado negativo, porém, a desvalorização do real tem potencial para encarecer os custos de produção do próximo ciclo e as incertezas em meio à pandemia da covid-19 poderão arrefecer o crédito das tradings – importante fonte de recursos – para o produtor rural na temporada 2020/21.

Este foi o diagnóstico apresentado por especialistas da cadeia produtiva de grãos, durante mais um Webinar DATAGRO, realizado nesta terça-feira (28). O evento online contou com a participação do diretor-geral da Anec, Sérgio Mendes; do presidente da Aprosoja Brasil, Bartolomeu Braz Pereira; e do presidente da Abiove, André Nassar. A moderação ficou a cargo do chefe da DATAGRO Grãos, Flávio Roberto de França Júnior.

Em sua exposição, Mendes adiantou que a Anec prevê que as exportações brasileiras de soja em grão devem chegar a 73 milhões de toneladas e as de milho atingir 31 milhões em 2020. "O fluxo segue normalmente. Temos alguma preocupação com uma possível sobra de milho nos Estados Unidos – que não está sendo destinado para fabricação de etanol - o que pode pressionar os preços do grão no segundo semestre."

Nassar pontuou que, até o momento, o principal impacto da pandemia nas indústrias processadoras de soja se deu no segmento de biodiesel, com a queda na demanda, bem como, ainda que, em menor escala, no ramo de food service, com a redução do consumo de óleo. "Contudo, nossa expectativa é que deveremos processar o montante recorde de aproximadamente 44,5 milhões de toneladas de soja neste ano. Teremos uma forte industrialização." No tocante aos embarques em 2020, o dirigente salientou que a Abiove estima a exportação de 16,5 milhões de toneladas de farelo e de 500 mil de óleo.

Questionado por França Júnior acerca do comportamento da indústria na oferta de crédito ao produtor para próxima safra, Nassar ponderou que o cenário deverá ser mais conservador. Já Bartolomeu Pereira, além de citar o impacto negativo do dólar elevado nos custos da próxima safra, embora positivo para a venda da produção atual, criticou os juros considerados ainda altos para o financiamento do agronegócio, bem como chamou a atenção para necessidade de seguro rural para o produtor.

Fonte: Universo Agro

Redação Destaque Rural
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