Mudança nas cadeias produtivas globais contribuirá para aumento das desigualdades econômicas

                                             Regionalização da produção começará com bens de consumo

São Paulo, 29 de abril de 2020 - O FMI e o Banco Mundial sinalizaram que a distância entre países ricos, emergentes e pobres deve aumentar substancialmente após a pandemia de covid-19. Enquanto os países do G7 investem, em média, 6% do PIB em pacotes econômicos destinados ao combate dos efeitos da pandemia, o G20 -- que inclui países emergentes -- destina 3,5% em média para o mesmo fim. Esse maior poder de fogo dos países mais ricos provocará uma diferença na velocidade de recuperação entre os diferentes grupos de países, de acordo com as entidades.

A crise do coronavírus trará ainda outro efeito estrutural importante que pode ampliar essa distância: a alteração das cadeias produtivas internacionais. "Nas últimas décadas, os países mais avançados economicamente e as empresas transnacionais construíram cadeias produtivas globais de forma consistente. Essa tendência começará a ser revertida após a retomada econômica em 2021, com a concentração da produção nos blocos econômicos. A cadeia de bens de consumo deverá ser a primeira a sentir essas alterações", afirma Cristina Helena Pinto de Mello, economista e pró-reitora nacional de pesquisa da ESPM.

De acordo com Cristina, a razão primordial para a regionalização é o fortalecimento geopolítico em regiões como a Ásia e a Europa. No entanto, essas mudanças não serão sentidas no curto prazo para todas as cadeias. "A cadeia produtiva de alimentos, por exemplo, é essencial e não terá alterações significativas rapidamente em sua distribuição. Porém, por questões sanitárias, os critérios de rastreabilidade e de certificações dos produtos serão ainda mais rigorosos", afirma.

Fonte: Assessoria de imprensa ESPM
 

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